Mostrando postagens com marcador dificuldades iniciais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dificuldades iniciais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Relato de amamentação

Publicado por Ingrid Gimarães em seu blog.
AMAMENTAR VALE A PENA

Sempre sonhei em ser mãe e poder amamentar. Fiz curso de amamentação com o pouco tempo que me restou de uma gravidez onde como todo mundo sabe trabalhei muito. Li muito e conversei com várias pessoas sobre amamentação. Quando Clara nasceu tive total apoio do pediatra e das enfermeiras da Casa de Saúde São José para amamentar. Mesmo estando informada nos primeiros dias passei pelo que milhares de mães passam: meu seio empedrou, o bico rachou e minha filha começou a perder peso. Como mãe de primeira viagem fiquei bem nervosa com a possibilidade de não poder alimentar minha filha ou ter que dar mamadeira logo na primeira semana. A responsabilidade de você ser o alimento é enorme o que se mistura com culpa materna, o medo dos primeiros dias de maternidade e a dor que a gente sente nas massagens nos seios. Fora que amamentar tem muito a ver com o emocional e a nossa ansiedade passa pro bebê.
O pior é que não adianta nada alguém te dizer : “Não fica nervosa que o leite seca”, ‘Sua filha está sentindo tudo”. São frases que só fazem aumentar o nosso nervosismo. Sempre achei as campanhas de amamentação lindas, essenciais e românticas. Mas a imagens das atrizes amamentando com uma cara de paz não condiziam com aquele momento caótico que eu estava vivendo. E dá lhe opiniões de todo mundo: “ Bota compressa quente”, “Bota compressa gelada”, “Faz massagem”, “ Vai pro chuveiro e passa um pente no peito”, e por aí vai.
Orientada pelo meu pediatra procurei uma especialista em amamentação que foi até minha casa e não só me acalmou psicologicamente como me ensinou técnicas de massagem para desempedrar o peito, tirar um pouco do leite pra que ficasse mais fácil pro bebê mamar, e quando ela não conseguia dava um pouco no copinho que é como muitas vezes os bebês pré maturos se alimentam. Assim o bebê mata a fome inicial até que o peito volte ao normal. (coisa mais bonitinha o bebê tomando leite no copinho!). Depois de alguns encontros, compressas e massagens diárias foram me acalmando. Entrando na internet descobri que muitas mães passam por isto e que com calma e informação tudo se resolve. Quando o peito empedra é normal o bico rachar porque o bebê acaba pegando mal no seu seio. Nada que uma boa pomada de lanolina (e às vezes até o bico de silicone) não ajude a resolver. Mas que dói, dói, mas o seu bico se acostuma.
No auge do desespero achei que não conseguiria e acho que deve ser fácil desistir, afinal é um momento muito frágil da nossa vida e é insuportável ver o seu filho berrando de fome. Imagino que muitas mulheres passam por isto e talvez um relato como este sirva de incentivo. Acho que devemos falar sobre isto umas com as outras porque acho que a informação e o relato pessoal desglamouriza um pouco este mundo cor de rosa da maternidade e prepara as mulheres que por um motivo ou outro venham a ter dificuldades de amamentar.
Resolvi falar sobre isto porque saiu na imprensa uma notícia dizendo que contratei uma ama de leite pra amamentar minha filha. Tenho o maior respeito (agora mais ainda) e admiração pelas amas de leite, mas insisti em amamentar no meu peito e não julgo quem desistiu ou não conseguiu. Não costumo desmentir notícias irresponsáveis de um certo tipo de imprensa, mas amamentar é coisa séria e eu sei que de certa maneira acabo sendo um exemplo pras outras mulheres.
Pretendo amamentar até quando der, vou voltar a trabalhar em dezembro e parar pra amamentar de três em 3 horas como venho fazendo. Vale a pena, e é um encontro inesquecível entre você e o bebê. Cheguei à conclusão que tudo que é realmente bom na vida é difícil, mas vale a pena.
Amamentar pra mim não foi tão fácil como eu imaginava, mas eu insisti e hoje amamento oito vezes por dia e minha filhota já ganhou o peso que perdeu!!!!!
Amo amamentar, acho que são os melhores momentos do meu dia!

Aí vai o endereço de pessoas que orientam o aleitamento materno


Para quem quiser tirar dúvidas e ter mais informações:

Amigas do Peito:

Reuniões: na primeira sexta-feira de cada mês na Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134, Botafogo), às 10h; às 14h da última sexta-feira do mês no Solar Grand Jean Montigny na PUC-Rio (Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea); no terceiro sábado do mês na Biblioteca Infantil (Campo de São Bento, em Icaraí, Niterói), às 9h; e na Igreja dos Capuchinhos (Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca) na segunda e na quarta terça-feira do mês, às 14h . www.amigasdopeito.com.br


Instituto Fernandes Figueira (IFF):
O hospital fica na Av. Rui Barbosa, 716, no Flamengo - telefone (21) 2553-6730. O Banco de Leite possui um telefone para ligações gratuitas: SOS Amamentação 0800-268877.

Hospitais Amigos da Criança no Rio de Janeiro:

Maternidade Leila Diniz (Estrada de Curicica, 2000 - Jacarepaguá - tel.: 21 2445-2264);

Hospital Maternidade Praça XV (Praça XV de Novembro, 4, fundos - Centro - tel.: 21 2507-6001);

Hospital Pedro Ernesto (Av. 28 de Setembro, 87 - Vila Isabel - tel.: 21 2587-6100);

Hospital Maternidade Nova Friburgo (Av. Antonio F. Moreira, 12 - Centro, Nova Friburgo - tel.: 22 2522-9345);

Hospital Carmela Dutra (Rua Aquidabã, 1037 - Lins de Vasconcelos - tel.: 21 2269-5446);

Hospital Central do Exército (R. Francisco Manuel, 126 – Triagem);

Associação Pró-Matre Rio (Av. Venezuela, 153 – Caju, tel.: 21 2223-1225).

Agora tenho que correr pra amamentar

Beijos com cheiro de leite

Ingrid

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Relato de amamentação exclusiva

Relato de amamentação de Iara, mãe de Mariela
É com grande orgulho que escrevo meu relato de 06 meses de amamentação exclusiva!!!
Foram tantas coisas que aconteceram nesse meio ano...

Bom, primeiro que quando estava grávida, achava que amamentação era uma coisa natural, tranquila, afinal, na minha casa, minha mãe amamentou seus 6 filhos e minhas irmãs os seus 4 filhos, cada uma (É casa de mulher parideira!!! !). Nem me preocupei em ler sobre isso... Lembro de ter lido um artigo na net que falava sobre a pega e só!

E já na maternidade as dificuldades começaram (fissuras, dor, encanação total com a pega) e indicação de mais uma enfermeira para dar NAN, "porque o seu leite não está "sastifazendo" !!!! Ainda bem que sempre tive determinação para amamentar minha filha.

Logo que cheguei da maternidade, desceu meu leite e meu peito ficou tão duro que a Mariela não conseguia pegar, chorava de fome e eu não sabia fazer ordenha. Foi uma madrugada muito difícil que nunca vamos esquecer!!!! Isso tudo abalou demais minha auto confiança e fiquei meio achando que eu não ia conseguir!

Então, veio a salvação, chamei a Carol, uma consultora de amamentação, que me orientou a amamentar da forma invertida, pq assim eu tinha mais controle da pega. A Mariela pegava bem, mas ia escorregando e depois de um tempinho estava só no bico. Aí veio o baby blues e dor para amamentar!! Não entendia como alguém tinha prazer em amamentar!! Coisa de louco!

Depois as coisas foram melhorando, melhora das fissuras, muita ordenha, início de mastite, até que chegou um resfriado quando a Mariela tinha dois meses. Ela ficou com o nariz super entupido e mamava pouco, assim, na consulta com o pediatra ele viu que ela estava engordando apenas 17gr e já foi receitando NAN.

Eu como mãe de primeira viagem deixei meu instinto falar mais alto e disse ao médico que não ia dar, que ia esperar mais um tempo! Saí de lá arrasada! Meu marido só segurando as pontas e sempre me dando muito apoio!

Chamamos a nossa salvação de novo, a Carol, e ela me disse que meu leite tinha diminuído, mas dava para reverter, me orientou a dar mamá a cada duas horas, deixar a Mariela mamar bastante tempo e não deixar ela dormir na hora de mamar! Foram dias que fiquei com minha filha grudada no peito direto!

E no final de uma semana, em outro pediatra, ela engordou 50gr por dia!!! Mas ela não é e nunca foi um bebezão!!! Temos que respeitar sua natureza.

Depois disso, vários altos e baixos, muito leite, pouco leite, próximo de voltar a trabalho, ansiedade, pouquíssimo leite, litros e litros de água, chá da mamãe e conseguimos. Eu, Mariela e maridão, Rafael, fomos levando!

Voltei a trabalhar quando a Mariela completou 4 meses, fiz um estoque, mas eventualmente uso o leite congelado, pois faço uma correira muito louca e consigo amamentá-la em todas as mamadas. Passo na casa da minha mãe, dou mamá, vou fazer audiência (sou advogada), volto, dou mais mamá, volto para o escritório, reunião, saio, dou máma.. é uma loucura total!!!!! Mas, ainda tiro leite, armazeno e congelo por precaução para o caso de emergência!

Mas hoje tenho muuuuuuuito orgulho da mulher e mãe que sou, pois consegui dar para a minha filha o melhor de mim e o que ela mais precisava, meu leite, que vem acompanhado de amor, carinho, ternuna, afeto, tudo de muito bom que sinto e passo para minha filha!! Não tem preço amamentar a Mariela e ver ela me olhando e sorrindo ainda com o bico na boca!!!

Continuo sendo profissional, mulher, esposa e uma mãe super poderosa, pois vi que tenho capacidade para seguir meus instintos e lutar sempre pelo melhor para minha filha!

Apesar de toda a pressão da família do meu marido para introdução de alimentos, mantive a amamentação exclusiva até agora. Foram meses que curti momentos íntimos e únicos com minha filha, em que pensava: "Esse momento eu não vou esquecer munca mais".

Uma vez li na lista da Matrice de uma materna que sempre olhava uma lata de NAN e dizia que nunca iria precisar dar. Comigo foi igual, quando voltei a trabalhar comprei uma lata e disse que nunca iria precisar dar para a Mariela! Vitória!!!

Mas tenho que dizer: meu marido, Rafael, foi fundamental para o sucesso na amamentação da Mariela, várias vezes acordando comigo só para ajudar dar mamá, me ouvindo, me dando apoio, me trazendo água, cozinhando. Olha meninas, modéstia à parte, tenho o marido perfeito!!!

Bom, era isso que queria compartilhar com vocês, desculpa pelo tamanho, mas tem coisas que não podem ser resumidas!

Beijos,

Iara

sábado, 28 de março de 2009

RELATO DA AMAMENTAÇÃO DO JOÃO, HOJE COM 11 MESES.

Quando João nasceu, tinha certeza de que amamentar seria a melhor coisa do mundo, algo natural que o corpo daria conta sozinho. Não foi bem assim. Logo que nasceu, já veio faminto ao meu seio e abocanhou com tanta vontade, porém não tinha descido o leite. Ele ficou aproximadamente 2 horas sugando cada seio e era só tirar do peito que ele chorava demais.

Bom, já nesse primeiro contato com meu filho os seios ficaram muito sensíveis, parecia carne viva. Ainda na maternidade, nos momentos em que ele não estava mamando (o que era muito raro), eu aproveitava para passar leite materno e tomava um pouco de sol. Não ajudava muito, nada resolvia.

Em casa, na quinta feira (João nasceu numa 2ª), meu leite finalmente desceu. Mas os seios estavam muito doloridos mesmo, pois eu tinha os bicos invertidos e, além de precisar formar o bico, ele tinha ficado sugando sem parar desde que nasceu (e isso não é força de expressão, às vezes ele ficava 6, 7 horas no peito, sem folga).

Nesse momento eu achei que tudo melhoraria, mas não. Os mamilos estavam em carne viva e João só não chorava no peito. No seio direito o bico formou logo então ele conseguir pegar melhor esse seio. Para dar de mamar no seio esquerdo, tinha que morder uma toalha e chorava toda vez, de dor mesmo (essa dor só melhorou com um mês).

Já na primeira visita ao pediatra, a média de engorda dele estava abaixo dos 30 gramas teoricamente aceitos como mínimo por dia. Então o médico já sugeriu que entrasse a complementação. Saí de lá arrasada, mas decidi que não daria.

Mas João não se contentava em ficar longe do seio e só chorava, chorava, chorava. Bom, nessa hora todo mundo resolve dar palpite e, salvo raras exceções, falavam: Ih, coitadinho, deve ser fome... Eu não aceitava de jeito nenhum.

Uma bela noite, ele mamou e dormiu, logo em seguida (em menos de vinte minutos), ele acordou e meu marido, já exausto, fez uma mamadeira de 100 ml de leite em pó. Para meu desespero ele mamou tudo e eu só chorava e também não tinha forças para impedi-lo, pois também estava exausta.
Meu bebezinho de quase um mês não tinha me deixado dormir mais que trinta minutos seguidos sem que chorasse estava tomando leite em pó. Bom, ele tomou o leite e dormiu, não mais que uma hora. Ainda bem, não era fome! Neste momento percebi que não havia problema com o meu leite, o que eu devia ter era somente paciência.
No mês seguinte levei-o ao pediatra e para nossa surpresa ele havia ganho 900gramas, bem mais que a média.

A partir do momento que minha confiança melhorou, tudo melhorou e João mamou exclusivamente no peito até os 6 meses e mesmo após o retorno ao trabalho ele manteve até os 10 meses somente o meu leite (fora a alimentação que já havia sido introduzida).
Fiquei muito feliz e resolvi escrever esse relato para encorajar outras mães, pois a amamentação não é fácil no início, mas é a construção entre mãe e filho mais saudável e gratificante. Reforça vínculos que nunca irão se desfazer.
Hoje meu bebê vai fazer um ano e estamos re-aprendendo o que fazer, pois ele ainda mama e já estou esperando o irmãozinho dele.
Um abraço a todas,
Carol

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Relato de Amamentação

Relato de Amamentação de Gisela, mãe de Stella

Minha filha, Stella, nasceu em São Paulo, no dia 30 de março de 2007, uma sexta-feira, às 8:00 horas. No sábado à noite, meu peito já estava endurecendo. Chamei a enfermeira de plantão e ela me disse que se tratava da “apojadura”, que o leite estava descendo e era tudo normal, mas providenciaria o necessário. Ocorre que as enfermeiras só apareceram no dia seguinte para fazer uma compressa fria. E já era tarde demais. Até a aréola estava endurecida e minha filha não conseguia pegar o peito.

Nos horários das mamadas, passei a ir até o berçário, onde uma das enfermeiras massageava apenas a parte próxima da aréola, o suficiente para ordenhar um pouquinho de leite e dar à minha filha de copinho. A dor que eu sentia quando retiravam o leite era enorme, mas ficava pequena perto do desespero de ver minha filha chorando de fome, aguardando inocentemente aquele ritual lento... O pior é que nem sempre conseguiam ordenhar o necessário e aí veio o momento crítico: assistir uma enfermeira dando leitinho industrializado para meu bebezinho.

Quando eu recebi alta, na segunda-feira, perguntei para a enfermeira o que eu deveria fazer para resolver a situação. Ela tomou conhecimento do que estava acontecendo e se sensibilizou. Foi a primeira a me dar orientações mais consistentes, porque até aquele momento, quando mudavam os turnos, mudavam também as recomendações. Eu cheguei a ser colocada na sala de ordenha, com a finalidade de voltar com o peito mais vazio para casa. Só que não foi o bastante.

Saí da maternidade em pânico, pois sentia que não conseguiria amamentar minha filha. E os primeiros dias foram mesmo terríveis: minha filha realmente não conseguiu pegar o peito e eu não soube ordenhar leite suficiente... Além disso, embora eu já tivesse lido em revistas que o bebê não pode pegar só o mamilo, que teria que pegar também grande parte da aréola, ela estava tão dura que era impossível. Quando minha filha conseguia sugar alguma coisa pegando só o mamilo, eu acabava deixando, pois achava que assim pelo menos ela se alimentaria um pouco. O resultado foram inúmeras fissuras e uma dor lancinante.

O choro de fome da Stella era desesperador e por um triz não pedi para alguém correr na farmácia de plantão, para comprar o tal NAN. Liguei para um médico e ele chegou a me falar que uma possibilidade seria tomar um remedinho para reduzir a produção de leite até secar.

Fiquei completamente confusa.

Foi então que consegui a indicação de uma enfermeira e obstetriz especializada em amamentação, que, mesmo fazendo um atendimento em outra cidade, já me deu diversas orientações por telefone. Depois ela me atendeu em casa, me explicou que o leite tinha “empedrado” e que teria que ser retirado, porque daquele jeito minha filha não conseguiria mesmo mamar, além de eu correr o risco de a situação evoluir para uma mastite.

Essa profissional ficou quase cinco horas em casa, conversou pacientemente comigo, dando todas as orientações possíveis sobre amamentação. Ela me ensinou como eu teria que fazer para esvaziar as mamas e, depois dela fazer uma longa massagem, senti que o meu peito já tinha voltado ao normal, o que até então parecia impossível de acontecer tão rápido.

No dia seguinte, a Stella já conseguiu mamar muito bem. Continuavam, porém, as fissuras e, consequentemente, muita dor.

Com as orientações que recebi passei a tratar dos ferimentos e, passadas algumas semanas, a amamentação já tinha se tornado um prazer enorme para mim, sobretudo porque o contato que me permite ter com minha filha é encantador e gratificante. Serei eternamente grata, pois, se não tivesse recebido orientação adequada, certamente teria desistido: com medo de minha filha passar fome, eu teria recorrido ao NAN e, possivelmente, causado o desmame precoce dela.

Passei, então, a me informar ainda mais sobre amamentação. Com ajuda das outras mães do Grupo MAMA, consegui amamentar exclusivamente minha filha com leite materno até ela completar seis meses. Quando voltei a trabalhar e a Stella passou a freqüentar o berçário, comecei a ordenhar leite e mandar para escolinha, para que dessem a ela num copo com bico de silicone, doando o leite excedente para o Banco de Leite do Hospital dos Fornecedores de Cana.

O Grupo MAMA também me ensinou os benefícios da amamentação prolongada e minha filha, agora com praticamente um ano e três meses segue mamando, firme e forte.

Hoje eu entendo porque tantas mães desistem de amamentar quando encontram dificuldades como a que eu experimentei e sequer têm consciência de todas as vantagens que a amamentação traz, para elas e para os bebês. É por isso que os grupos de apoio à amamentação são tão importantes: se mais mães tiverem a ajuda certa no momento certo, mais bebês serão beneficiados com o aleitamento materno.

Gisela

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Relato de Amamentação

Relato de Amamentação de Gisele, mãe de Enzo

Me preparei a gravidez inteira para o meu parto domiciliar. Lia tudo que passasse na minha frente, no entanto nem pensei no tema amamentação, achei que fosse simples e fácil, que o meu filhote iria para o meu peito, tomaria seu leitinho e tudo ficaria feliz: que engano!

Foram 10 dias de UTI, saí do hospital com meu filho, nascido em casa, mas que teve após o parto desconforto respiratório de causa desconhecida.

Saí do hospital sem orientação nenhuma, e achando que tudo estava resolvido. Meu filho não estava ganhando peso por isso o hospital não queria liberá-lo embora ele estivesse bem. Sua alta foi feita pelo nosso pediatra na época o Cacá. Na primeira noite em casa meu filho chorou a noite toda, de fome provavelmente, pois eu não tive a feliz idéia de levá-lo ao peito! Ficava olhando para ele o tempo inteiro, mas não me dei conta de que ele precisava se alimentar. Após uma noite inteira de choro, ligamos para a avó mais próxima, que sugeriu que déssemos leite artificial para ele. E assim foi feito.

Com uma semana de vida, após a maioria das mamadas era oferecido ainda 30ml de leite artificial. Eu simplesmente não acreditava que meu leite era suficiente para ele, mesmo com os peitos cheios.

Porém, o complemento não foi o único vilão do desastre inicial da minha história de amamentação. Após um mês, não entendia como meus peitos poderiam estar ainda tão machucados e feridos. Não havia nada que os fizesse cicatrizar, nem lansinoh, nem sol, nem casca de mamão e banana, nem secador nada… Eu tentei de tudo. Eu chorava o dia inteiro desconsolada pois não conseguia amamentar sem dor. Sentia fisgadas medonhas durante cada mamada e me lembrava quão melhor tinha sido sensação da dor do parto, perto da dor que eu sentia ao amamentar o meu filho. A cada fim de mamada eu prometia a mim mesma que ia comprar uma mamadeira para ele e desistir de amamentar.

Quando o Enzo completou 30 dias de vida, o diabinho do complemento ainda rondava a nossa mamada e então decidi: a partir de hoje não dou mais uma gota de leite artificial para ele, nem que meus bicos caiam. E assim foi. Eu amamentava com uma dor maldita, até que ele ficasse satisfeito. O suor escorria pelo meu rosto a cada mamada, cheguei uma vez a desmaiar de dor mas promessa é promessa e desde então nunca mais voltei atrás.

Sentia um vazio enorme, a dor ao amamentar era muito grande. Com ela vinha uma sensação de impotência muito grande, eu achava que não tinha leite, que meu filho estava magro, que eu não era capaz de nutrí-lo com eficiência. Não me passava pela cabeça que eu fui capaz de alimentar o meu filho durante 9 meses na minha barriga, por que não conseguiria agora?

Vivia o tempo inteiro verificando o estoque de leite nos meus seios. Eu realmente achava que eles precisavam estar sempre pingando de leite, que eles sempre deveriam estar cheios e quando eu os sentia um pouco murchos, eu começava a achar que meu leite ia secar. Tomei vários remédios, vivia fazendo compressas quentes para aumentar uma produção que já era abundante, no entanto eu não me dava conta. Era uma insegurança desmedida.
Mas a dor não melhorava nunca e eu cada dia que passava, pensava em desistir.
Após muito conversar com o Cacá, pediatra do Enzo, com as meninas da lista, da Matrice, navegar horas e horas na Internet em busca de uma possível solução, começamos a desconfiar que a pega dele pudesse estar errada e realmente estava. Consultamos uma fonoaudióloga especialista em amamentação que constatou alguns problemas: pega, posição e movimento da língua incorretos. Além disso ela afirmou que ele tinha uma sucção extremamente forte, que aliada a minha pele clara, contribuía ainda mais para machucar os meus seios.

Comecei então uma série de exercícios para tentar melhorar a pega dele, que realmente começaram a dar resultados positivos, no entanto meu peito nunca cicatrizava. O Enzo completava dois meses, a pega estava bem melhor que no início, no entanto meu seio continuava muito machucado, avermelhado e a dor na mamada era absurda. Em algumas mamadas eu tirava meu leite com uma bomba manual para não ter que oferecer o peito. Eram algumas mamadas de alívio.

Discutindo com os profissionais que estavam me ajudando, chegamos à conclusão que eu poderia estar com Monilíase mamária, ou candidíase, e comecei então a fazer o tratamento. Começamos com um remédio que eu passava no meu seio e no cantinho da boquinha do Enzo. Uma luz no fim do túnel: a dor começava a diminuir. Como eu fiquei feliz! Porém a minha felicidade durou pouco. Meu seio de uma hora para outra e sem explicação começou a piorar novamente e amamentar voltou a ser um pesadelo.
Novamente no médico, chegamos à conclusão que seria necessário que eu tomasse remédio via oral. Iniciamos então com uma dose baixa. Tomei comprimidos durante 14 dias, passava remédio no seio, na boquinha dele e nada do meu seio melhorar. O Enzo já estava com 3 meses e eu mal conseguia sair de casa, pois começava a chorar só de imaginar ter que amamentar em público e ter que conter a minha dor, fazendo cara de paisagem. Eu sentia dores horríveis. A vontade que eu tinha era de jogá-lo para cima na hora da mamada e eu me sentia muito mal por isso, pois o que eu mais queria era amamentar. Fomos para o último plano: remédio via oral em doses altas. E assim fiz. No começo comecei a ficar desesperada pois não via efeito nenhum e essa era a minha última esperança. Tomei esse remédio por 6 semanas consecutivas e perto do Enzo completar 4 meses comecei a sentir o verdadeiro prazer de amamentar, sem dor, sem medo, sem tensão.

Quando o Enzo tinha 3 meses, comecei a fazer estoque de leite materno para quando eu voltasse a trabalhar, o que aconteceria dentro de 3 meses. Aos poucos meu freezer estava cheio de leite, o que fazia com que a minha auto-estima aumentasse. Acho que isso ajudou muito a minha melhora.

No meio dessa corrida toda, eu mostrei meus peitos para tanta gente em busca de uma solução para minha dor. Só não usei como remédio titica de galinha, do resto eu fiz de tudo: vitamina C, sol, complexo vitamínico, banho de luz, secador, pomadas mil, conchas, absorventes, seios amostra, cascas de frutas.

Meu histórico para uma amamentação bem sucedida era catastrófico: bebê internado 10 dias na UTI, pega completamente errada, a pele do seio bem clara, sucção forte, falta de informação, insegurança, seios machucados, monilíase e embora meu filho ganhasse um peso adequado à curva de crescimento, ele tinha um estereótipo magro e todo mundo que o via, dizia que ele estava magro, sugerindo que meu leite não era suficiente ou era fraco, e quando ele chorava, sempre escutava palpites que era de fome, pois um bebê magro normalmente não parecia estar bem alimentado, uma vez que não era um bebê gordo na visão das pessoas.

Todo esse sofrimento para amamentar, não foi em vão. Eu sofri a cada mamada mas ao mesmo tempo eu fui muito atrás de informação: lia livros, sites de amamentação, conversava muito com gente que acreditava que da mesma maneira que eu fui capaz de gerar, nutrir e parir, eu seria capaz de amamentar o meu filho exclusivamente.

Tudo o que aprendi neste tempo, tento colocar em prática, ajudando mães a ter auto-confiança a amamentar exclusivamente.

Com 5 meses decidi alugar uma bomba elétrica para aumentar a minha produção e consecutivamente meu estoque no freezer. Com 6 meses voltei a trabalhar. Tiro meu leite no trabalho 2 vezes por dia, deixo na geladeira e transporto para casa no final do dia. Separo o leite em potes menores, coloco no freezer, somando-se ao estoque que já tinha. Mesmo passando no mínimo 12 horas fora de casa, continuo amamentando. Amamento antes de sair, quando volto e ele ainda não está dormindo e ele toma meu leite outras 3 vezes durante o dia enquanto eu estou fora, além de ter uma alimentação variada.

Hoje sei que tudo o que eu passei talvez eu precisasse passar para então ajudar tantas mães com quem tenho conversado e dividir tudo o que eu aprendi. Hoje sei que amamentar não é fácil, mas que a tranqüilidade é tudo e é fator determinante para o seu sucesso. Hoje sei que meus seios nunca precisariam estar cheios de leite, para que meu filho ficasse satisfeito. Hoje entendi que muitos dos meus sofrimentos foram inúteis e que poderiam ser amenizados com um mínimo de informação sobre a dinâmica do leite.

Meu filho hoje está com 10 meses, é um bebê saudável e extremamente feliz. Meus peitos hoje não enchem mais, mas eu me sinto extremamente segura de que tenho leite suficiente para deixá-lo satisfeito a cada mamada e que toda a passagem da minha amamentação, só contribuiu para que eu ajude muitas mães que hoje passam pelas mesmas inseguranças que eu passei.

Gisele, mãe do Enzo,
nascido em 02 de setembro,
de parto domiciliar.

Amamentar é a verdadeira junção das palavras mamãe e amar.