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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Relato de amamentação dos meus meninos – Pedro, Rafael e Tiago



Desde que criamos o Blog do Grupo MAMA – Mães que Apóiam Mãe na Amamentação, fiquei devendo meu relato de amamentação. Mas decidi que faria um relato único, quando fechasse o ciclo de todos os filhos. Hoje é o dia que sinto que posso afirmar com certeza que meu pequeno Tiago, o caçula, não mama mais e assim posso iniciar o meu relato.
Essa é, felizmente, uma história de sucesso. Posso me orgulhar disso.
Mas vou começar do começo.
Tenho na minha cabeça um marco que influenciou demais o sucesso da amamentação dos meninos. No final da gravidez do Pedro, meu primeiro filho, participei de uma palestra sobre amamentação na qual ouvi a seguinte frase: “não existe não ter leite. Toda mulher produz leite”. Pronto, simples assim. Entendi que eu poderia confiar plenamente na minha natureza feminina que tudo daria certo. Nesse momento aprendi também que eu não precisaria nunca de mamadeiras nem chupetas, e a primeira coisa que fiz após a palestra foi correr numa loja trocar as mamadeiras e chupetas que eu havia comprado guiada pela cultura de que esses são itens indispensáveis a um bebê. Em nenhuma das três experiências, com três bebês diferentes, senti falta de qualquer desses itens.
Pois então nasceu o Pedro, de cesárea sem prévio trabalho de parto, e eu fui logo dando o peito na sala de recuperação. Que emoção, uma boquinha naquele peito, que havia preparado com tantos banhos de sol. Tive algumas dores por pequenas fissuras, que resolvi facilmente com mais banhos de sol. Em quinze dias, a amamentação estava redonda, sem dores, sem pegas desajeitadas. O leite deve ter demorado uns quatro dias para descer, mas eu nem percebi quando isso aconteceu. Eu simplesmente oferecia o peito sempre que possível e passava horas com ele no peito. Nos primeiros meses, as mamadas duravam uma hora e meia, eram longuíssimas. Meu leite nunca empedrou. Vazava muito pouco. Apenas no primeiro mês, quando eu amamentava em um peito, pingava o outro, e algumas vezes que ele fazia intervalos maiores, o leite descia e molhava o sutiã. Ele era um bebê calmo, dormia bem, não chorava horrores, regurgitava um pouquinho, ganhava peso bem, tudo isso me indicava que estava tudo bem com a amamentação. Seguia horas a fio com ele no peito e aprendi a dar apenas um peito em cada mamada, garantindo assim o esvaziamento da mama, o aproveitamos do leite gordo pelo bebê e a saciedade da sua necessidade de sugar.
Hoje, percebo que se eu quisesse, eu poderia ter achado que eu tinha pouco leite. Tinha algumas amigas com bebês que tinham os peitos enormes, vazando bastante, doando leite pra extravasar o excesso. Esse não era o meu caso. Eu segui lá, quietinha, sem excesso de leite, com um bebê pendurado no peito, provavelmente para estimular a produção. Mas confiante de que tudo estava bem. Nos momentos de cansaço e dúvida, minha mãe me ajudava muito relatando o sucesso que teve na minha amamentação por não ficar “controlando” a oferta do peito e percebi que o peito era meu maior aliado na solução de quase todos os problemas. O peito não é somente um alimento para o corpo, mas ainda mais para o emocional do bebê e da mãe.
Lembro-me bem que por volta dos 4 meses senti uma queda de produção, os peitos murchos, ele lutando um pouco na hora de mamar, mas mais uma vezes lembrei da minha frase guia e segui, oferecendo o peito. Nada como o bebê mamar para resolver uma queda de produção. E assim superamos essa fase de baixa e chegamos aos 6 meses de amamentação exclusiva. Que vitória, que alegria. Lembro que mês a mês eu ia comemorando a conquista de mais um mês de leite materno e completar esse marco foi muito importante.
Nesse período, cada vez mais buscava me rodear de pessoas que acreditavam na amamentação e conversar com mães que estava vivendo as mesmas experiências. Participava de um grupo de discussão na internet, que me trazia muita informação e me ajudava a mergulhar nas maravilhas dessa relação de simbiose que vivemos com nossos bebês. Pra mim, informação era tudo, sabia tudo de tudo, estava sempre buscando. Foi nesse momento, na busca por pessoas que vivessem essa mesma realidade, que me uni a pessoas muito especiais e queridas, criando as reuniões do Grupo MAMA, que se iniciaram na minha casa. Como era bom estar rodeada de mães, ouvir suas histórias, pensar juntas em alternativas, buscar alívios para as dificuldades. Acordar diversas vezes durante a noite é muito mais fácil (ou menos difícil) quando se sabe que outras pessoas também estão acordando ... uma dando suporte à outra. Um momento mágico em minha vida, que reflete até hoje na mãe que me tornei e que sustentou, certamente, todas as outras histórias de maternidade e amamentação que vivi.
Voltando ao Pedro, introduzi lentamente os sólidos, tendo sempre o peito como principal alimento até pelo menos um ano. Vale falar que novamente essa rede de apoio que criamos foi riquíssima e ajudou demais nas escolhas de como oferecer comidas e continuar valorizando a amamentação. Bom, a partir daí, a amamentação era algo tão natural, tão automático, que não consigo me lembrar de mais detalhes. Não conseguia pensar em desmame e acreditava que ele iria acontecer espontaneamente, só não sabia como nem quando. Estava disposta a amamentar até nem sei quando. Mas de repente, meu bebê de 1 ano e 7 meses se recusava a mamar. Colocava a boca no peito, dava um sorrisinho e recuava. Esse comportamento, aliado a outras suspeitas, me levou a fazer um teste de gravidez, que confirmou a vinda do meu segundo filho. O Pedro parou definitivamente de mamar e passou a tomar outro leite, que no início, optei pelo de cabra. Sinto que para mim e para ele, aquele era o nosso momento, e tivemos ambos, um desmame muito bem resolvido. Eu até admirava, mas realmente não estava disposta a amamentar grávida.
Nasceu o Rafael depois de um trabalho de parto longuíssimo. Pegou o peito logo após o nascimento, mas só foi mamar mesmo algumas horas depois do nosso merecido descanso. O leite desceu em 24 horas, ainda na maternidade. Então mamou sem problemas, sem rachaduras, sem qualquer dificuldade, e principalmente, com total confiança de minha parte. Mas mamava diferente do Pedro. Mamava rápido, em pouco tempo, e logo largava o peito. Se eu oferecesse novamente, ficava até bravo. E não tinha ritmo nenhum de mamada. Mamava quando queria, é claro, mas cada dia mamava de um jeito. Como foi difícil entender o ritmo desse meu bebê. Com ele eu tinha que estar sempre esperta, e era ele quem mandava totalmente. Quando queria mamar, berrava e brigava se eu demorava para dar o peito. E se não queria mamar, e eu oferecia, brigava ainda mais. Uma autonomia total, um comportamento completamente diferente da minha outra experiência. E, novamente, me deparei com minha certeza, tenho leite, basta dar o peito a ele o quanto ele quiser, e teremos um processo de amamentação de sucesso. Assim foi. Exclusivo até os seis meses, quando começou a comer rejeitando inicialmente os alimentos. Demorou uns dois meses para se interessar mais pelas comidas, mas então deslanchou e manteve o leite materno como seu principal alimento.
Com 1 ano e pouco, Rafael experimentou o leite do irmão e adorou, amou na verdade. Confesso que até me senti mal por não ter oferecido a ele antes algo que ele gostou tanto. Mas não faria diferente, pois sei que o protegi do contato precoce com um produto alergênico. Nesse momento, iniciamos o seu processo de desmame, num processo lento, gradativo e numa cumplicidade silenciosa entre nós. Ele passou a tomar o leite de vaca no copinho todas as noites, antes de mamar e dormir. Acho que esse foi, com certeza, o primeiro passo. O segundo foi quando passei a limitar as mamadas noturnas a apenas duas vezes, pois nessa época ele ainda acordava bastante. Ele aceitou com facilidade e passou a acordar menos. Mas seguia mamando bastante durante o dia.
Para contar a seqüencia dos fatos, vou me valer de um relato que fiz na época, aproveitando sua riqueza de detalhes.

“Há uns 15 dias, fiquei de cama 3 dias, com uma gripe terrível e o Rafael ficou com minha mãe e outro familiares durante todo o dia, mamou apenas na madrugada. Na seqüência, ele ficou doente, e, ao contrário do que sempre ocorria, não pediu para mamar. Assim, as mamadas durante o dia foram sumindo até sumirem completamente. A mamada da madrugada permaneceu mais uma semana, mas fui ficando completamente sem leite, e a mamada não valia, mas percebi que ele tinha fome. Há uns cinco dias, ele tem dormido direto até umas 6:30 da manhã, quando acorda e dou um copo de leite e ele dorme mais quase duas horas.

Foi um desmame muito interessante. Há um mês atrás eu tinha a impressão que ele não desmamaria nunca. Hoje, parece que ele nunca mamou. Aceita meu colo sem o peito, está bem, feliz, seguro. Eu também me sinto bem, com missão cumprida, pronta para iniciar essa nova fase na nossa relação. Ainda sai um pouco de leite dos meus peitos, mas como a diminuição foi bem gradativa, acho que meu organismo foi se adaptando. O interessante é que estou com o bico direito super machucado, com rachadura, pois nos últimos tempos, ele estava com uma pega terrível. Pela primeira vez na vida, estou usando Lansinoh.”

Passados dois meses do desmame do Rafael, me descobri grávida novamente, e nasceu então meu pequeno Tiago. Brinco que o Tiago poderia dar curso de amamentação para os recém-nascidos, Nunca vi uma pega tão perfeita! Ele nasceu e veio direto para o meu peito, que ficou sugando durante as três horas que fiquei na recuperação (por conta de uma anestesia exagerada). Ele não largou o peito nem por um segundo, e mamou perfeitamente. Não senti sequer uma sensibilidade nos bicos, prova de que é a pega errada que causa os ferimentos. Em pouco mais de 12 horas após seu nascimento, estava sentada na cama e senti uma tontura, depois percebi os peitos encherem. Pela primeira vez, senti nitidamente a tal da apojadura. Novamente, tive leite suficiente para amamentar meu bebê, mas sem excessos. Tive uma leve monolíase nos bicos nos primeiros dias, em razão de uma forte queda de resistência que me abateu no pós-parto. Resolvi com geléia real, banhos de sol e hemeopatia.

Foi uma delícia vivenciar nessa terceira experiência, a entrega absoluta, deixando o bebê totalmente no comando. Com outros dois pequenos para cuidar, eu simplesmente abaixava a blusa e dava o peito quando ele pedia, simples assim. Todo lugar era lugar, todo jeito valia. Nada de se recolher, sentar na cadeira perfeita, com uma jarra de água ao lado. Aliás, essa foi a amamentação que tomei menos água, mas a que tive mais leite. Não tinha a menor noção de quantas vezes ele mamava por dia ou por noite, tampouco sobre o tempo de duração das mamadas. Não conseguia nem achar um relógio para dar aquela olhadinha curiosa para tabelar, mesmo que mentalmente, as mamadas. Que delícia, que entrega libertadora. Acho que realmente só nessa terceira oportunidade pude entender completamente o significado da livre demanda, do bebê como um anexo ao seu corpo. Amamentava de tudo quanto era forma, até cozinhando, preparando o prato ou dando banho nos maiores. Queria mamar, pronto, resolvia a questão. Esse bebê mamava, mamava, ganhava muito peso, e completamos mais uma vez os seis meses de amamentação exclusiva. Descobri então que tinha meu gulosinho, que avançou e se deliciou com todas as comidas que experimentou, tendo sempre, é claro, um tempinho para ainda mamar muito. Esse foi o primeiro bebê meu que quis, ou talvez, o primeiro que eu deixei, mamar no meio das refeições. Às vezes estava comendo um prato de papinha, parava para uma mamadinha, e depois voltava para raspar o prato, o que ele raramente deixou de fazer.

Muito apegado a mim, o peito era seu porto seguro. Tudo que acontecia que lhe trouxesse alguma insegurança, era no peito que ele encontrava seu consolo. Assim que aprendeu a falar, chorava falando “mamá, mamá, mamá ...”. Tanto que quando eu contei aos maiores que ele não mamava mais, o Rafael correu fazer o teste. Arrancou uma coisa da mão dele pra ver se ele chorava pedindo pra mamar, foi até engraçado. Enfim, mas o Tiago seguiu tomando apenas o leite materno até completar um ano, quando descobriu o copo de leite dos irmãos, e passou a tomar um copo pequeno junto com eles, todas as noites antes de ir pro quarto e mamar pra dormir. Em menos de dois meses, já descobriu a diferença entre o copo dele e o dos irmãos, e rapidamente exigiu que o dele também tivesse o achocolatado ... coisas de terceiro filho. E nesse ritmo seguimos alguns meses, tomando leite e mamando antes de dormir a noite, além das diversas mamadas de dia e de madrugada. Aos poucos, meu marido passou a colocá-lo para dormir algumas noites sem que ele mamasse. Ele aceitava super bem, mas nas acordadas noturnas ainda exigia a minha presença e o peito. Durante o dia, as mamadas se mantinham. Quando ele estava com 1 ano e 4 meses, fiz o teste de eu mesma colocá-lo para dormir sem dar o peito, e para minha surpresa, ele aceitou e incorporou essa nova situação muitíssimo bem. Assim, antes do sono da noite e do sono da tarde, ele parou de mamar. Mas ainda pedia para mamar em alguns momentos durante o dia e nas acordadas noturnas, que acontecia um ou duas vezes por noite. Desse momento até hoje, que ele está com 1 ano e seis meses, a relação com o peito foi se distanciando aos poucos, bem lentamente, e com idas e vindas. Eu parei de oferecer, e ele parou de pedir diariamente. Parou de acordar à noite, como um passe de mágica. Parou de pedir o mamá nas situações difíceis. Para fechar o processo, é claro, teve uma virose e ardeu em febre. Chegou a pedir o peito, mas depois que sarou, não pediu mais. Não mama há pelo menos uns 4 ou 5 dias. Passou a se contentar com meu colo sem peito, e hoje, acho que posso dizer que ele, definitivamente, parou de mamar.
E assim, sinto que completei mais esse ciclo, que fecha um ciclo maior, de quase 7 anos nutrindo meus filhos com as forças do meu corpo, ora gestando, ora amamentando. Sinto-me feliz e realizada.
Nesse meu trajeto e na relação com tantas mães que convivi nesses anos, confirmei o que ouvi lá no início: não existe não ter leite, e aprendi que o que existe é não ter confiança e apoio. Mesmo quando tudo vai bem, sem dificuldades físicas, como foi no meu caso, ter uma rede de apoio, se rodear de pessoas com ideais semelhantes, faz toda a diferença. Obrigada a todas as queridas mamães que passaram pelo Grupo MAMA. Tenho um pouquinho de cada uma de vocês dentro de mim e da minha família.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Relato de amamentação

Relato de amamentação de Raquel, mãe de Elias e Sarah
Amamentando grávida e dois filhos de idades diferentes


Durante a minha primeira gestação eu não me preocupei muito com a amamentação, achava que para amamentar bastaria colocar no peito e pronto, que não havia segredos.
O pouco que eu li durante a gravidez sobre amamentação falava de amamentar exclusivo por 6 meses e depois por pelo menos 2 anos.

Lembro de um pequeno relato de uma mulher, onde ela contava que amamentou o seu ‘cordeirinho mamão’ até 5 anos, neste meio tempo ela engravidou, teve outro filho, este até desmamou e o ‘cordeirinho mamão’ continuou mamando até os seus 5 anos. Lembro-me bem que quando eu li isto vi ali uma possibilidade, coisas que nunca havia pensado: amamentar grávida, amamentar dois filhos ao mesmo tempo e principalmente amamentar prolongadamente.

Quando o Elias nasceu eu vi que a amamentação não era assim tão sem segredos. Não tive grandes problemas, mas superei diversos pequenos obstáculos. Na consulta de pós parto, o GO falou de planejamento familiar, eu disse que queria ter outro filho dentro de 2 ou 3 anos, mas não queria ter que desmamar um para ter outro. Ainda com o meu recém-nascido nos braços ouvi que eu não precisaria desmamar, que poderia amamentar grávida e amamentar depois os dois filhos sem problema.

Não há risco de se amamentar grávida, a não ser que exista risco de parto prematuro, que daí sim a hormônio liberado na amamentação pode adiantar o parto, mas se houver esta restrição medica para amamentar também haverá para sexo e algumas outras atividades, já que o hormônio liberado é o mesmo e as contrações provocadas pelo orgasmo são até mais intensas do que as provocadas pela amamentação, então se não há restrição para o sexo não há porque restringir a amamentação.

Sabendo isto passei a ter o meu ideal, amamentar prolongadamente, esperando o desmame natural e espontâneo, ter outro filho próximo, amamentar grávida e depois ambos os filhos. Era o que eu acreditava ser o melhor, o que eu queria e o que eu desejava, dependendo apenas da vontade deles também.

Quando engravidei novamente o Elias estava com 2 anos e 3 meses, já não mamava muito, mas logo que engravidei passou a mamar mais, para depois novamente reduzir. Quando ele tinha dois anos e meios foi a primeira vez que pensei em desmame, não em desmama-lo, mas no desmame como um processo longo que já havia começado

Foi tranqüilo amamentar grávida, não vou dizer que seja uma maravilha apesar de não ser de todo ruim. Os seios estão mais sensíveis, às vezes dói, a barriga começa a atrapalhar, estamos mais cansadas, temos mais sono, o humor muda, nossos hormônios mudam, o leite diminui. Eu sempre acreditei que amamentação era mais importante do que estes inconvenientes e continuei.

Não lembro em que ponto da gestação tive a nítida impressão de que meu leite havia secado, para depois de uns dias chegar o colostro. O Elias continuou mamando sem nunca falar ou reclamar de nada.

Quando a Sarah nasceu o Elias passou a mamar bem mais, nos primeiros dias posso dizer até mesmo que ele mamou mais que ela, até de madrugada ele voltou a mamar. No começo ele a via mamar e queria, ele não a via e queria da mesma forma. Junto com a Sarah veio a abundancia, muito leite e nisto o meu pequeno rapaz de 3 anos engordou 1kg em cerca de 1 mês de volta à amamentação (quase) exclusiva.

Aos poucos ele foi reduzindo novamente as mamadas, voltou a mamar como mamava antes de eu engravidar e seguiu no seu ritmo de desmame, mamando atualmente um ou duas vezes ao dia.

A Sarah, um bebê completamente diferente do que o Elias foi, com um ritmo de mamar diferente o tempo que ficava no peito, a freqüência que me solicitava. Agente sabe que um filho é diferente do outro, mas eu não imaginava que me surpreenderia tanto com estas diferenças. Para ela parece que o mundo é mamar, não pode ver, ouvir, cheirar, pensar que logo já quer: mamar, mamar, mamar... Penso que quando for ela a mais velha mamando junto de um próximo irmão, será bem diferente de como foi com o Elias mais velho, já que a relação dela com o mamá é completamente diferente da dele.

Eles mamaram muitas vezes juntos, muitas vezes separado. Amamentar um filho em cada peito com eles se fazendo carinho é uma das coisas mais gostosas que há. Só que amamentar dois filhos não é só isto, tem horas que um quer mamar justamente o peito que o outro está, o peito as vezes vira alvo de disputa e as vezes de união. Tem horas que não há coisa melhor para os ciúmes do que ter dois seios.

Para mim, amamentar os meus dois filhos de idades diferentes é algo tão natural como gestar e parir. A amamentação começou e vai terminar na hora dela, o Elias desmamará espontaneamente e enquanto isto não acontece, eu sigo amamentando, mesmo tento engravidado e amamentado outro bebê. O mesmo vale para Sarah, que desmamará um dia ainda muito longe, mesmo com uma nova gestação e com mais um filho no peito, eu continuarei a amamenta-la até que seja o momento dela de parar.

Para mim é importante respeitar o ritmo da criança e como não há motivos para não se amamentar grávida, eu não conseguiria ter um filho em detrimento do outro, e eu me sentiria assim se desmamasse em uma nova gestação.

Raquel mãe de Elias, 4 anos e Sarah 1 ano e 4 meses
e empreendedora de Ninho da Coruja

Postado originalmente no mamiferas: "Amamentar grávida é possível, sim!"
Leia também o primeiro relato e o segundo relato de amamentação de Raquel.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Poema: Dar de mamar

Meu nome é André Augusto Passari, sou médico psiquiatra na cidade de Ribeirão Preto-SP, CRM 118004. Tenho uma filha de pouco mais de um ano de idade e minha esposa amamentou até pouco tempo. Sei da importância do amamentar para o bebê, e também para a relação mãe-bebê, e tenho consciência que muitas mães não conseguem amamentar, por motivos diversos.

Preocupado com a questão, escrevi um poema, na voz feminina, falando sobre o dar de mamar, como uma forma de incentivo às mulheres nessa fase. Transcrevo-o abaixo. Se gostarem, fiquem à vontade para divulgá-lo.

O poema faz parte do livro “Fragmentos do Tempo” (editora ArtePaubrasil). Também fiz um vídeo com o poema, imagens de mães amamentando e uma música linda, “Acalanto”, de Dorival Caymmi. O vídeo transmite um sentimento muito positivo e também pode ser usado como incentivo e estímulo às mulheres.

O vídeo pode ser assistido aqui.


Segue o poema:
Dar de mamar


Ah, que momento de ternura
Quando o meu bebê
Com ânsia e candura
Agarra-se ao meu seio

Ele sente o meu cheiro, o meu gosto
O contato da minha pele
E o calor do meu corpo

Sente o carinho do aconchego
O afeto, o amor
E mama sem medo

Ah, que carícia imaculada
Quando sua mãozinha
Pequenina e delicada
Encosta no meu peito

E, erguendo-se à toa,
Tateia desastrada
E toca no meu queixo

Ah, quanta ternura!

E quando ele acaba de mamar
Lança-me um olhar de contemplação
E se debruça sobre o meu peito, e dorme
Ouvindo as batidas do meu coração


(André Augusto Passari)

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Relato de amamentação

Publicado por Ingrid Gimarães em seu blog.
AMAMENTAR VALE A PENA

Sempre sonhei em ser mãe e poder amamentar. Fiz curso de amamentação com o pouco tempo que me restou de uma gravidez onde como todo mundo sabe trabalhei muito. Li muito e conversei com várias pessoas sobre amamentação. Quando Clara nasceu tive total apoio do pediatra e das enfermeiras da Casa de Saúde São José para amamentar. Mesmo estando informada nos primeiros dias passei pelo que milhares de mães passam: meu seio empedrou, o bico rachou e minha filha começou a perder peso. Como mãe de primeira viagem fiquei bem nervosa com a possibilidade de não poder alimentar minha filha ou ter que dar mamadeira logo na primeira semana. A responsabilidade de você ser o alimento é enorme o que se mistura com culpa materna, o medo dos primeiros dias de maternidade e a dor que a gente sente nas massagens nos seios. Fora que amamentar tem muito a ver com o emocional e a nossa ansiedade passa pro bebê.
O pior é que não adianta nada alguém te dizer : “Não fica nervosa que o leite seca”, ‘Sua filha está sentindo tudo”. São frases que só fazem aumentar o nosso nervosismo. Sempre achei as campanhas de amamentação lindas, essenciais e românticas. Mas a imagens das atrizes amamentando com uma cara de paz não condiziam com aquele momento caótico que eu estava vivendo. E dá lhe opiniões de todo mundo: “ Bota compressa quente”, “Bota compressa gelada”, “Faz massagem”, “ Vai pro chuveiro e passa um pente no peito”, e por aí vai.
Orientada pelo meu pediatra procurei uma especialista em amamentação que foi até minha casa e não só me acalmou psicologicamente como me ensinou técnicas de massagem para desempedrar o peito, tirar um pouco do leite pra que ficasse mais fácil pro bebê mamar, e quando ela não conseguia dava um pouco no copinho que é como muitas vezes os bebês pré maturos se alimentam. Assim o bebê mata a fome inicial até que o peito volte ao normal. (coisa mais bonitinha o bebê tomando leite no copinho!). Depois de alguns encontros, compressas e massagens diárias foram me acalmando. Entrando na internet descobri que muitas mães passam por isto e que com calma e informação tudo se resolve. Quando o peito empedra é normal o bico rachar porque o bebê acaba pegando mal no seu seio. Nada que uma boa pomada de lanolina (e às vezes até o bico de silicone) não ajude a resolver. Mas que dói, dói, mas o seu bico se acostuma.
No auge do desespero achei que não conseguiria e acho que deve ser fácil desistir, afinal é um momento muito frágil da nossa vida e é insuportável ver o seu filho berrando de fome. Imagino que muitas mulheres passam por isto e talvez um relato como este sirva de incentivo. Acho que devemos falar sobre isto umas com as outras porque acho que a informação e o relato pessoal desglamouriza um pouco este mundo cor de rosa da maternidade e prepara as mulheres que por um motivo ou outro venham a ter dificuldades de amamentar.
Resolvi falar sobre isto porque saiu na imprensa uma notícia dizendo que contratei uma ama de leite pra amamentar minha filha. Tenho o maior respeito (agora mais ainda) e admiração pelas amas de leite, mas insisti em amamentar no meu peito e não julgo quem desistiu ou não conseguiu. Não costumo desmentir notícias irresponsáveis de um certo tipo de imprensa, mas amamentar é coisa séria e eu sei que de certa maneira acabo sendo um exemplo pras outras mulheres.
Pretendo amamentar até quando der, vou voltar a trabalhar em dezembro e parar pra amamentar de três em 3 horas como venho fazendo. Vale a pena, e é um encontro inesquecível entre você e o bebê. Cheguei à conclusão que tudo que é realmente bom na vida é difícil, mas vale a pena.
Amamentar pra mim não foi tão fácil como eu imaginava, mas eu insisti e hoje amamento oito vezes por dia e minha filhota já ganhou o peso que perdeu!!!!!
Amo amamentar, acho que são os melhores momentos do meu dia!

Aí vai o endereço de pessoas que orientam o aleitamento materno


Para quem quiser tirar dúvidas e ter mais informações:

Amigas do Peito:

Reuniões: na primeira sexta-feira de cada mês na Casa de Rui Barbosa (Rua São Clemente, 134, Botafogo), às 10h; às 14h da última sexta-feira do mês no Solar Grand Jean Montigny na PUC-Rio (Rua Marquês de São Vicente, 225, Gávea); no terceiro sábado do mês na Biblioteca Infantil (Campo de São Bento, em Icaraí, Niterói), às 9h; e na Igreja dos Capuchinhos (Rua Haddock Lobo, 266, Tijuca) na segunda e na quarta terça-feira do mês, às 14h . www.amigasdopeito.com.br


Instituto Fernandes Figueira (IFF):
O hospital fica na Av. Rui Barbosa, 716, no Flamengo - telefone (21) 2553-6730. O Banco de Leite possui um telefone para ligações gratuitas: SOS Amamentação 0800-268877.

Hospitais Amigos da Criança no Rio de Janeiro:

Maternidade Leila Diniz (Estrada de Curicica, 2000 - Jacarepaguá - tel.: 21 2445-2264);

Hospital Maternidade Praça XV (Praça XV de Novembro, 4, fundos - Centro - tel.: 21 2507-6001);

Hospital Pedro Ernesto (Av. 28 de Setembro, 87 - Vila Isabel - tel.: 21 2587-6100);

Hospital Maternidade Nova Friburgo (Av. Antonio F. Moreira, 12 - Centro, Nova Friburgo - tel.: 22 2522-9345);

Hospital Carmela Dutra (Rua Aquidabã, 1037 - Lins de Vasconcelos - tel.: 21 2269-5446);

Hospital Central do Exército (R. Francisco Manuel, 126 – Triagem);

Associação Pró-Matre Rio (Av. Venezuela, 153 – Caju, tel.: 21 2223-1225).

Agora tenho que correr pra amamentar

Beijos com cheiro de leite

Ingrid

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Relato de amamentação exclusiva

Relato de amamentação de Iara, mãe de Mariela
É com grande orgulho que escrevo meu relato de 06 meses de amamentação exclusiva!!!
Foram tantas coisas que aconteceram nesse meio ano...

Bom, primeiro que quando estava grávida, achava que amamentação era uma coisa natural, tranquila, afinal, na minha casa, minha mãe amamentou seus 6 filhos e minhas irmãs os seus 4 filhos, cada uma (É casa de mulher parideira!!! !). Nem me preocupei em ler sobre isso... Lembro de ter lido um artigo na net que falava sobre a pega e só!

E já na maternidade as dificuldades começaram (fissuras, dor, encanação total com a pega) e indicação de mais uma enfermeira para dar NAN, "porque o seu leite não está "sastifazendo" !!!! Ainda bem que sempre tive determinação para amamentar minha filha.

Logo que cheguei da maternidade, desceu meu leite e meu peito ficou tão duro que a Mariela não conseguia pegar, chorava de fome e eu não sabia fazer ordenha. Foi uma madrugada muito difícil que nunca vamos esquecer!!!! Isso tudo abalou demais minha auto confiança e fiquei meio achando que eu não ia conseguir!

Então, veio a salvação, chamei a Carol, uma consultora de amamentação, que me orientou a amamentar da forma invertida, pq assim eu tinha mais controle da pega. A Mariela pegava bem, mas ia escorregando e depois de um tempinho estava só no bico. Aí veio o baby blues e dor para amamentar!! Não entendia como alguém tinha prazer em amamentar!! Coisa de louco!

Depois as coisas foram melhorando, melhora das fissuras, muita ordenha, início de mastite, até que chegou um resfriado quando a Mariela tinha dois meses. Ela ficou com o nariz super entupido e mamava pouco, assim, na consulta com o pediatra ele viu que ela estava engordando apenas 17gr e já foi receitando NAN.

Eu como mãe de primeira viagem deixei meu instinto falar mais alto e disse ao médico que não ia dar, que ia esperar mais um tempo! Saí de lá arrasada! Meu marido só segurando as pontas e sempre me dando muito apoio!

Chamamos a nossa salvação de novo, a Carol, e ela me disse que meu leite tinha diminuído, mas dava para reverter, me orientou a dar mamá a cada duas horas, deixar a Mariela mamar bastante tempo e não deixar ela dormir na hora de mamar! Foram dias que fiquei com minha filha grudada no peito direto!

E no final de uma semana, em outro pediatra, ela engordou 50gr por dia!!! Mas ela não é e nunca foi um bebezão!!! Temos que respeitar sua natureza.

Depois disso, vários altos e baixos, muito leite, pouco leite, próximo de voltar a trabalho, ansiedade, pouquíssimo leite, litros e litros de água, chá da mamãe e conseguimos. Eu, Mariela e maridão, Rafael, fomos levando!

Voltei a trabalhar quando a Mariela completou 4 meses, fiz um estoque, mas eventualmente uso o leite congelado, pois faço uma correira muito louca e consigo amamentá-la em todas as mamadas. Passo na casa da minha mãe, dou mamá, vou fazer audiência (sou advogada), volto, dou mais mamá, volto para o escritório, reunião, saio, dou máma.. é uma loucura total!!!!! Mas, ainda tiro leite, armazeno e congelo por precaução para o caso de emergência!

Mas hoje tenho muuuuuuuito orgulho da mulher e mãe que sou, pois consegui dar para a minha filha o melhor de mim e o que ela mais precisava, meu leite, que vem acompanhado de amor, carinho, ternuna, afeto, tudo de muito bom que sinto e passo para minha filha!! Não tem preço amamentar a Mariela e ver ela me olhando e sorrindo ainda com o bico na boca!!!

Continuo sendo profissional, mulher, esposa e uma mãe super poderosa, pois vi que tenho capacidade para seguir meus instintos e lutar sempre pelo melhor para minha filha!

Apesar de toda a pressão da família do meu marido para introdução de alimentos, mantive a amamentação exclusiva até agora. Foram meses que curti momentos íntimos e únicos com minha filha, em que pensava: "Esse momento eu não vou esquecer munca mais".

Uma vez li na lista da Matrice de uma materna que sempre olhava uma lata de NAN e dizia que nunca iria precisar dar. Comigo foi igual, quando voltei a trabalhar comprei uma lata e disse que nunca iria precisar dar para a Mariela! Vitória!!!

Mas tenho que dizer: meu marido, Rafael, foi fundamental para o sucesso na amamentação da Mariela, várias vezes acordando comigo só para ajudar dar mamá, me ouvindo, me dando apoio, me trazendo água, cozinhando. Olha meninas, modéstia à parte, tenho o marido perfeito!!!

Bom, era isso que queria compartilhar com vocês, desculpa pelo tamanho, mas tem coisas que não podem ser resumidas!

Beijos,

Iara

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Relato de amamentação de Raquel, mãe de Elias e Sarah

Relato de amamentação de dois filhos com idades diferentes

Antes mesmo de engravidar, eu já sabia que poderia amamentar grávida, que não há contra-indicação a não ser que haja risco de parto prematuro. Eu já havia decidido que amamentaria durante a gestação e, depois, os dois até que o Elias desmamasse natural e espontaneamente.
Quando eu engravidei da Sarah, o Elias tinha 2 anos e 3 meses e mamava umas 5 vezes, três durante o dia e duas a noite.
No primeiro trimestre da gestação, ele mamou muito mais do que o normal, não sei bem quanto, mas mamou mais. Não só mamou mais, como também pedia mais minha atenção, mais mamãe, mais colo, etc.

No segundo trimestre, voltou ao normal, nem parecia que eu estava grávida. Voltou a mamar como antes de eu engravidar. Na verdade, até cortou uma mamada, passou a pedir para dormir na caminha dele, cerca de metade das noites (praticamos cama compartilhada) e foi um momento oportuno para um desmame noturno.
Eu nunca me incomodei de acordar à noite, por isso sempre vinha adiando o desmame noturno, mas com a gestação tive medo de ter que lidar com dois acordando à noite para mamar, então planejei um desmame noturno bem suave, o que foi feito em poucos meses.

No terceiro trimestre da gestação, ele voltou a me solicitar mais, mais mamãe, mais colo e mamar mais novamente. Algumas noites ele voltou a acordar e pedir mama.
Amamentar durante a gravidez foi relativamente tranqüilo. O mamilo ficou mais sensível em parte da gestação e no inverno eu tinha dor depois dele mamar, o que descobri que era causado pelo frio, então bastou passar a aquecer os seios depois da mamada para resolver o incômodo.

Dizem que amamentar adianta o parto, mas eu cheguei com 40 semanas sem problema nenhum. Conforme chegava o final da gravidez, eu imaginei que em alguma mamada entraria em trabalho de parto, mas não foi assim que aconteceu.
Eu já estava em trabalho de parto, bem fraquinho e suave, quando o Elias pediu para mamar. Ele queria dormir depois do almoço, então mamou uma meia hora e fez o trabalho de parto se intensificar.

A Sarah nasceu. Nasceu e mamou.
Pareceu uma boquinha tão suave, tão pequena, muito diferente do que eu estava acostumada fazia quase 3 anos... Eu achei que o Elias fosse querer mamar ao vê-la mamar, mas não, ele não pediu. Só depois que todos foram embora e ficamos só nos em casa é que ele mamou, mamou e dormiu, desmaiou, estava cansado e empolgado com o nascimento da irmã.

Enquanto era só o colostro, eu dava o peito primeiro para ela, e ele sempre mamava o peito que ela tinha mamado por último.
Depois desceu o leite, abundantemente e o esquema mudou. Ele mamava primeiro, mamava o excesso e ela mamava depois, mais tranqüila, sem esguichar leite. Ela nunca gostou de peito muito cheio. Eu dava o mesmo seio para ela até que ele mamasse novamente e tirasse o excesso do outro seio, daí passava a dar para ela este seio até a próxima mamada dele.
Se ele não queria tirar o excesso eu mesma tirava, ordenhando para o Banco de Leite, desde quando ela estava com 3 dias. As mamadas dele estavam mais irregulares, tinha dias que eu não ordenhava, tinha dias que ordenhava 3 vezes.

O Elias mamou muito depois que a Sarah nasceu, acho que nos primeiros dias chegou a mamar umas 9 vezes, até de madrugada voltou a mamar. Nas primeiras noites ela dormiu bem e ele mamou até mais vezes que ela.
Na segunda semana já mamou umas 5 vezes. Na terceira só três e tive que mudar o esquema novamente já que ela mamava com mais freqüência e não dava para deixar um seio tanto tempo sem mamar. Passei a dar um seio para ela e o outro para ele e para as ordenhas, este esquema deu bem certo por bastante tempo, com umas poucas adaptações.

Nas primeiras noites ele mamou bastante e seguiu mamando à noite, uma ou duas vezes por mais uns 3 meses. Deixei ele parar novamente por si só, já que não me incomodava.
Depois de um resfriado ele quis mamar a noite inteira, mas nada que uma conversa depois durante o dia não resolvesse. Na verdade, descobri que qualquer problema noturno deve ser conversado depois no dia seguinte para ser resolvido, como aconteceu em uma das primeiras noites que ele teve que esperar a Sarah mama e abriu o berreiro...

Aos poucos ele foi voltando a mamar o que ele mamava antes dela nascer. Acho que com uns 3 meses ele já mamava igual ao que era antes da gravidez. Lógico que tem dias em que de repente mama mais, mas isto sempre foi assim antes também.

A vantagem de se amamentar uma criança é que ela já entende muita coisa e sempre você pode conversar e explicar as coisas, mesmo as relacionadas ao mama. Fiz isto algumas vezes com o Elias, como nas acordadas noturnas dele e também sobre mamar em qualquer lugar, já que para ela dá para dar mama de pé na fila do banco, já para ele não dá...

Eu amamentei os dois ao mesmo tempo muitas vezes e vi que tem horas que não há coisa melhor para o ciúmes do que ter dois seios!
O Elias está no caminho do desmame, aos poucos vai perdendo interesse e mamando menos. Quanto tempo mais este processo vai demorar, só o tempo dirá.
A Sarah faz 9 meses hoje, está começando a comer, ainda mama muito e tem um longo caminho pela frente.

Raquel, mãe de Elias de 3 anos e 8 meses e de Sarah de 9 meses
e empreendedora de Ninho da Coruja

Leia também o outro relato de amamentação de Raquel

sábado, 28 de março de 2009

RELATO DA AMAMENTAÇÃO DO JOÃO, HOJE COM 11 MESES.

Quando João nasceu, tinha certeza de que amamentar seria a melhor coisa do mundo, algo natural que o corpo daria conta sozinho. Não foi bem assim. Logo que nasceu, já veio faminto ao meu seio e abocanhou com tanta vontade, porém não tinha descido o leite. Ele ficou aproximadamente 2 horas sugando cada seio e era só tirar do peito que ele chorava demais.

Bom, já nesse primeiro contato com meu filho os seios ficaram muito sensíveis, parecia carne viva. Ainda na maternidade, nos momentos em que ele não estava mamando (o que era muito raro), eu aproveitava para passar leite materno e tomava um pouco de sol. Não ajudava muito, nada resolvia.

Em casa, na quinta feira (João nasceu numa 2ª), meu leite finalmente desceu. Mas os seios estavam muito doloridos mesmo, pois eu tinha os bicos invertidos e, além de precisar formar o bico, ele tinha ficado sugando sem parar desde que nasceu (e isso não é força de expressão, às vezes ele ficava 6, 7 horas no peito, sem folga).

Nesse momento eu achei que tudo melhoraria, mas não. Os mamilos estavam em carne viva e João só não chorava no peito. No seio direito o bico formou logo então ele conseguir pegar melhor esse seio. Para dar de mamar no seio esquerdo, tinha que morder uma toalha e chorava toda vez, de dor mesmo (essa dor só melhorou com um mês).

Já na primeira visita ao pediatra, a média de engorda dele estava abaixo dos 30 gramas teoricamente aceitos como mínimo por dia. Então o médico já sugeriu que entrasse a complementação. Saí de lá arrasada, mas decidi que não daria.

Mas João não se contentava em ficar longe do seio e só chorava, chorava, chorava. Bom, nessa hora todo mundo resolve dar palpite e, salvo raras exceções, falavam: Ih, coitadinho, deve ser fome... Eu não aceitava de jeito nenhum.

Uma bela noite, ele mamou e dormiu, logo em seguida (em menos de vinte minutos), ele acordou e meu marido, já exausto, fez uma mamadeira de 100 ml de leite em pó. Para meu desespero ele mamou tudo e eu só chorava e também não tinha forças para impedi-lo, pois também estava exausta.
Meu bebezinho de quase um mês não tinha me deixado dormir mais que trinta minutos seguidos sem que chorasse estava tomando leite em pó. Bom, ele tomou o leite e dormiu, não mais que uma hora. Ainda bem, não era fome! Neste momento percebi que não havia problema com o meu leite, o que eu devia ter era somente paciência.
No mês seguinte levei-o ao pediatra e para nossa surpresa ele havia ganho 900gramas, bem mais que a média.

A partir do momento que minha confiança melhorou, tudo melhorou e João mamou exclusivamente no peito até os 6 meses e mesmo após o retorno ao trabalho ele manteve até os 10 meses somente o meu leite (fora a alimentação que já havia sido introduzida).
Fiquei muito feliz e resolvi escrever esse relato para encorajar outras mães, pois a amamentação não é fácil no início, mas é a construção entre mãe e filho mais saudável e gratificante. Reforça vínculos que nunca irão se desfazer.
Hoje meu bebê vai fazer um ano e estamos re-aprendendo o que fazer, pois ele ainda mama e já estou esperando o irmãozinho dele.
Um abraço a todas,
Carol

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Relato de amamentação e volta ao trabalho

Relato de volta ao trabalho de Gisele, mãe de Enzo

Amamentar é muito bom mesmo! A data da volta ao trabalho estava por chegar e ansiedade do que fazer para continuar amamentando era uma preocupação constante, ainda mais que a minha história de amamentação fora uma tragédia em três atos: problemas de “pega”, monilíase, complemento por 20 dias, seios muito machucados. Aconteceu de tudo mesmo e cada obstáculo foi superado com muita informação, muita gente me apoiando, me dizendo o quanto era importante o meu leite, e dia após dia, a promessa de dar a mamadeira na próxima mamada ia caindo por terra, e um problema após o outro ia se transformando em satisfação em amamentar exclusivamente o meu bebê até os 6 meses, como eu sempre sonhava. O complemento foi abandonado quando o Enzo tinha um mês. Eu prometi a mim mesa: morro de dor, mas amamento o meu filho exclusivamente. E joguei a lata de NAN no lixo.

Aos três meses, comecei a experimentar a ordenha manual. Fui me informando aos poucos nos sites, como fazer, como armazenar o leite, como oferecer ao meu pequeno. Já tinha uma bomba manual, comprada infelizmente com o objetivo de retirar o meu leite e poupar o meu seio de uma das mamadas, pois as machucaduras eram muitas, a ponto de uma vez me fazer desmaiar de dor ao amamentar.

Comecei a tirar leite para guardar. Primeira ordenha uma tragédia: míseros 20ml. Desanimei... mas de 20 em 20ml ia guardando e sem perceber, depois de alguns dias, os 20ml já era 60ml, que passaram para 80ml, 150ml e ia aumentando conforme a demanda da “bomba”.

Com 4 meses definitivamente todos os problemas estavam resolvidos. A pega havia melhorado com uma seção de fono, aliada a exercícios antes das mamadas. A monilíase com remédio melhorara, e os banhos de sol arrematavam as cicatrizes do meu seio, ajudando a reconstruir a pele manchada e dilacerada pelo fungo. Era só alegria. Me sentia feliz, realizada, completa...

Quando comecei a sentir o prazer de amamentar, me animei a turbinar o meu estoque. Quando o Enzo completaria 5 meses e 15 dias, eu teria que retornar ao trabalho e o meu objetivo era oferecer ao meu filho o melhor: o meu leite exclusivamente até os 6 meses. Afinal, tanto sacrifício para conseguir amamentar não poderia parar por ali.

Aluguei então uma bomba elétrica dupla. Nas mamadas, oferecia um dos seios somente ao Enzo, e após a mamada, bombeava os dois seios, e o leite armazenado. Na amada seguinte, oferecia a ele o seio que fora bombeado, e bombeava novamente os dois e assim por diante. Quando completei 5 meses e 15 dias, próximo de voltar ao trabalho, resolvi procurar outro emprego e consegui e para a minha alegria, poderia ficar trabalhando de casa mais 15 dias e com isso amamentar mais 15 dias. O universo estava conspirando.

Eu já tinha um estoque imenso de leite. Voltei a trabalhar e meu filho continuou a tomar só o meu leite até os 6 meses.

Aluguei uma bomba elétrica, dotada de compartimento para transportar o leite. Comprei vários vidros, esterilizei todos e estava pronta para retornar, porém o meu primeiro projeto foi numa petroquímica. E eu pensei... meu Deus, numa petroquímica, não terei onde fazer a ordenha. Mas fomos em frente e eu tinha planos de encontrar uma tiazinha boazinha, que me deixasse ordenhar na casa dela, sei lá. Cheguei no cliente, e só me restava uma alternativa: o banheiro. Não era a opção mais higiênica, mas... era a única então agarrei. Eu fazia três ordenhas por dia: uma pela manhã, uma após o almoço e uma no fim da tarde. Isso totalizava, um volume de 600ml mais ou menos. Deixava o leite na geladeira e ao fim do dia transportava para casa.

Metade deste leite ele tomava pela manhã no dia seguinte, metade do leite ele levava congelado para a escolinha. Além do leite ordenhado, tinha a mamada da madrugada, da manhã e antes de dormir.

Eu tinha um estoque enorme de leite e um belo dia ao chegar em casa, descobri que a porta do freezer ficara aberta e todo o meu estoque descongelou. Chorei muito, quebrei todos os vidros e na hora me desesperei: tanto sacrifício para nada. Mesmo assim não desanimei, pelo contrário, sabia que a partir daquele momento não poderia mais ter preguiça: a produção era just in time. Tirava num dia, para oferecer no outro. Fiquei triste, fiquei. Mas não desanimei e por conta disso, meu filho nunca ficou um só dia sem o leite dele.

Minha história de amamentação teve de tudo: alegrias, tristezas, desgostos, frustrações, lágrimas, mas sempre teve uma pitada de determinação que não me deixava desistir. Essa determinação me rendia muito leite, em meio as angústias de não conseguir amamentar. Minha mãe que sempre esteve comigo, foi junto com o meu marido que me dava muito apoio, fator determinante para o sucesso da minha turbulenta amamentação.

Parei com as ordenhas diárias quando ele tinha ele 1 ano e 2 meses. Tive o orgulho do meu filho só tomar o meu leite por mais de 1 ano. Hoje ele mama pela manhã e pela noite antes de dormir.
Meu bebê, com quase 1 ano e 6 meses, mama com uma carinha de satisfação que faz o meu coração transbordar de felicidade, pois transpus cada dificuldade com amor, determinação e muita informação.

Gisele do Enzo
1 ano e 9 mese....mamando

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Relato de amamentação

Relato de amamentação de Raquel, mãe de Elias

Quando engravidei pensei e planejei muito o parto, mas em momento nenhum pensei no depois, em como seria a amamentação. Para mim seria uma coisa simples, era só colocar no peito para mamar e pronto.
Não sei até onde esta minha falta de expectativas foi boa ou ruim. Em partes foi bom porque não fiquei com medo de ter problemas de algo dar errado, não tive frustrações porque não foi como eu queria, as coisas simplesmente foram acontecendo...
A única coisa que eu tinha era certeza que teria leite e que teria muito.
Na minha família todas tiveram bastante leite, lembro da minha tia doando leite, ela amamentou os cinco filhos, o mais novo até uns quatro anos. Minha mãe amamentou os quatro e lembro-me dela dizendo em vários momentos que tinha que tirar um pouco o excesso de leite para eu não engasgar, porque eu espaçava mais as mamadas que os outros três. Minha irmã, também amamentou a filha, vazava leite até quase um ano. Então a única ciosa que eu esperava era ter bastante leite!
Sei que ter muito leite não quer dizer nada, mas esta era a única expectativa que eu tinha.


O Elias nasceu, veio direto para o meu colo com o cordão ainda pulsando. Eu sem saber bem como tudo funcionava tentei colocá-lo para mamar direto sem deixá-lo descobrir primeiro, meu cheiro, minha pele, como se naquela hora ele tivesse que mamar, subestimei um pouco o contato que é tão essencial.

Acabou que ele não mamou naquela hora, teve apenas o contato, meu colo. Hoje me questiono que se não tivesse conduzido tanto aquele momento ele poderia ter sido mais especial e ele poderia ter descoberto meu seio, meu mamilo, ter mamado na primeira hora, coisas que considero tão importante e que é uma das coisas que pretendo superar com o próximo filho, sentir que fiz melhor.

Não sei bem que horas que ele mamou mesmo, porque eu dormi, não sei se foram 2 horas depois ou se foram 4, mas ele mamou. Fiz as coisas com a simplicidade que esperava que fossem, coloquei-o no peito e dei de mama, não sabia nem percebi que ele pegava errado, fazia muito barulho para mamar, a enfermeira depois veio me explicar que não podia fazer barulho, me mostrou como deveria ser a pega, como ele tinha que abocanhar, não tive muita dificuldade para corrigir a pega, mas este primeiro dia de pega errada me rendeu uma pequena fissura, nada grave, mas doeu por vários dias.

Segundo dia meu seio começa a ficar inchado, outra coisa me faltava conhecer melhor, apojadura. O pouco que sabia era da minha irmã comentar de quando o leite dela desceu.

Já me casa meu seio muito duro, mal dava para o Elias abocanhar. Antes de dar mama eu fazia uma pequena massagem ao redor do mamilo e tirava um pouco de excesso para ele conseguir pegar o seio, esta pelo menos foi uma das poucas informações sobre amamentação que levei da minha gestação.

Nas primeiras noites ele mamava de hora em hora, eu não sabia que existia gente que ensinava bebê a mamar com horários então pensava que estes horários iam surgir naturalmente. Demorou um pouco para ele ter um horário mais padronizado, mas não demorou muito para ele não acordar mais de hora em hora à noite...

Assim foram passando os dias, no começo ele ficava bravo com o excesso de leite, mas logo ele aprendeu a mamar ‘cuspindo’ o excesso, tinha que deixar uma fralda de pano sob a boca dele para pegar este excesso que escorria. Além de outra fraldinha no outro seio que vazava enquanto ele mamava.

Ele não tinha padrão nenhum durante o dia às vezes fazia intervalos de 30 min. outras raras vezes fazia de quase 2 horas, eu com receio de que não mamasse o leite gordo do final da mamada resolvi que se mamasse muito perto daria o mesmo seio, trocava de seio a cada 2 horas, a cada intervalo de 2 horas um seio não importa quantas mamadas ele fizesse, em menos de 2 horas seria no mesmo seio e mesmo assim ele não chegava a esvaziar o seio.

Com um pouco menos de um mês ele fez pela primeira vez um intervalo de 5 horas direto dormindo, este primeiro intervalo foi aumentado aos poucos, com três meses ele fazia entre 8 e 10 horas seguidas, mas isto tinha um inconveniente, meus seios ficavam muito cheios e eu chegava a acordar com dor nos seios. Resolvi começar a tirar leite antes de dormir para não acordar com dor durante a noite, esvaziava os seios à noite antes do banho, não tinha ainda banco de leite na cidade, este leite era usado então para as mais diversas coisas, desde alimentar as cachorras até ser passado como hidratante de pele durante o banho. Às vezes eu media por curiosidade, tirava em um copo, outras vezes tirava dentro do Box deixando escorrer pelo corpo, eram uns 100/200 ml jogados fora diariamente. Aos poucos fui tirando menos e a produção se ajustando até que não precisei mais tirar o excesso antes de dormir para dormir confortável.

Com dois meses ele começou a chupar dedo, para mim no começo isto foi motivo de grande preocupação, mas fui atrás de pessoas que o filho tivesse chupado dedo e o que encontrei é que crianças amamentadas por pelo menos dois anos costumavam parar de chupar o dedo sozinhas antes disso, as que mantinham geralmente tinham sido desmamadas antes dos dois anos. Como eu pretendia amamentar por dois anos, como a OMS recomenda, fiquei mais tranqüila. Às vezes ele largava o peito para chupar o dedo. Sempre que via ele chupando o dedo tentava tirar e dar o peito, tinha vez que isto o deixava muito bravo, tinha vez que funcionava.

Desde que nasceu ele nunca dormiu no quarto dele, no começo deixava num moisés ao lado da cama, depois a primeira dormida era no berço, depois vinha para o meu lado. Apesar dele dormir boas horas de sono seguidas, o resto de noite que faltava ele acordava com intervalo máximo de 1 hora e meia, acordando umas três vezes até acordar de vez. Então ele dormir este finalzinho ao meu lado me ajudava muito a descansar e ajudava na amamentação noturna. Quando começou a esfriar o tempo e eu tomei mais coragem assumimos de vez a cama compartilhada e ele passou a dormir a noite todo ao meu lado, o que facilitou ainda mais as acordadas.

Os seis meses se aproximavam e eu comecei a questionar porque eram seis meses para introdução dos alimentos e não cinco ou sete? As únicas respostas que encontrei foram que antes dos seis meses não poderia dar nada, mas que poderia adiar um pouco a introdução. Sem o peso dos seis meses nas costas fui levando mais um pouco. Meus irmãos vieram visitar, fomos viajar e assim se passou mais um mês. Com sete meses já planejando introduzir os alimentos o Elias pegou uma virose, não só ele como meu marido, eu meu irmão, meu pai e mais metade das pessoas que encontramos no aniversario do meu irmão. Muitos vômitos, diarréia, muito leite materno e algum remédio, dado na colher. Ele chegou a quase desidratar, não aceitou soro, mas o leite materno foi suficiente para não deixá-lo piorar mais. Com esta virose ele começou a acordar mais a noite e seguiu acordando por muito tempo...

Depois que ele melhorou resolvemos começar com os alimentos. Ele tinha criado certa repulsa pelas colheres já que eu tinha dado algum remédio nelas e ele só as tinha conhecido para isto.
Já havia lido que quando a criança está pronta para os alimentos ela tem já certa capacidade de se alimentar sozinha, então foi assim que começamos: Elias, comida e muita sujeira!! Depois comecei com a colher e bem aos poucos com todos os alimentos.

Só depois de um ano que fui levar a alimentação mais a serio, evitar que ele mamasse antes de uma refeição, tentar dar sempre nos mesmos horários, ele foi comendo cada vez mais e reduzindo aos poucos as mamadas.

Com um ano e pouco ele fez uma greve de amamentação. O que é uma greve? É quando a criança para subitamente de mamar e isto dura apenas alguns dias, ele ficou quatro dias praticamente sem mamar, nos primeiros dois ele até pedia o peito, mas não mamava, pagava e largava, nos outros dois nem isto, nem mesmo a noite, nem dormindo.

Foi difícil para mim, eu não sabia o que era esta tal de greve e tive muito medo do desmame, para mim, amamentar menos do que a OMS recomenda seria em parte um fracasso, além de que não acho que nem eu nem ele estávamos prontos, ele ficava com o dedo na boca olhando para mim, como se quisesse mamar, mas algo o impedisse. Depois destes quatro dias ele mamou dormindo e aos poucos foi voltando a mamar, depois para compensar ele mamou muito mais do que de costume por umas duas semanas. Lógico que com esta grave a produção diminuiu e em partes ele mamar mais foi uma forma de estimular a produção a voltar ao normal.

A partir da greve ele foi aos poucos diminuindo a sucção digital, até que com um ano e oito meses ficou uma semana sem chupar o dedo, depois mais umas e foi indo assim por mais um mês até que ele largou de vez, com um ano e dez meses ele já não chupava mais dedo e pouco depois já parecia que nem sabia o que era aquilo, confirmando minha teoria de que se eu mantivesse a amamentação ele largaria o dedo antes dos dois anos.

Desde que ele passou a acordar a noite eu adiei tomar alguma atitude. Pensei em esperar um ano, depois um ano e meio, depois dois anos, mas geralmente pensava em fases que ele acordava mais e quando passavam eu resolvia levar mais e não fazer um desmame noturno. Eu nunca gostei da idéia de negar o mama, mesmo à noite e sempre acreditei que a amamentação noturna tinha certa função, afinal o pico de prolactina, hormônio responsável pela produção, ocorre na madrugada e nunca achei que isto fosse por acaso.

Quando decidimos pelo segundo filho comecei a pensar mais no desmame noturno, já sabia que poderia amamentar durante a gestação se ela não fosse de risco, já tinha decidido fazê-lo, mas amamentar dois a noite não estava nos meus planos. Conversando com uma amiga ela disse que os filhos passaram a dormir a noite toda durante suas gestações, resolvi então esperar engravidar, afinal teria mais nove meses para resolver isto.

Engravidei, os seios ficaram mais sensíveis, mas a amamentação continuou sem maiores problemas, às vezes tinha que arrumá-lo no peito ou tomar mais cuidado quando ele pegava ou soltava o seio se fosse de qualquer jeito poderia doer.

Com três meses de gestação e o Elias tendo dois anos e meio, resolvi desmamar a noite, de uma forma bem lenta e calma. Simplesmente parei de oferecer, se ele resmungava tentava confortá-lo de outra forma, se não tivesse jeito dava mama. Só com isto em poucas semanas ele já dormia bem melhor.

Conforme a gestação foi caminhando o leite foi diminuindo, cada vez menos leite, eu já não consigo mais tirar uma gota, mas ele ainda mama normalmente, bem menos vezes. A gestação segue tranqüila, uma coisa não está interferindo na outra, não dói para dar de mama, o peito fica mais sensível o que faz com que eu tenha que tomar mais cuidado principalmente quando ele quer mexer a cabeça mamando ou na hora em que vou tirar o peito.

Aos poucos ele foi reduzindo as mamadas, mesmo antes de eu engravidar ele já não mamava mais tantas vezes. Aos dois anos ele mamava em media umas cinco vezes, agora quase no final da gestação ele tem mamado apenas umas três vezes, acredito que quando o bebê nascer ele vá querer mamar mais vezes, mas vejo que ele está em processo de desmame, não sei bem quanto tempo isto vai levar, se vai ser alguns meses ou mais de um ano, mas percebo que ele está desmamando no ritmo dele e que uma hora ele vai parar. Eu pretendo levar até onde ele for e vamos ver como será amamentar dois filhos...

Raquel, mãe de Elias 2 anos e 9 meses mamando

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Relato de desmame natural

Relato de desmame natural de Sarah, mãe de André

André tem 3 anos, tem um histórico de alergia a leite de vaca mesmo sendo amamentado exclusivamente (ele se sensibilizou por causa, provavelmente, de um hidratante a base de leite, nos primeiros dias de vida, e desenvolveu alergia a proteína do leite de vaca que eu consumia e chegava a ele através do meu leite). Ficou no peito sem experimentar nenhum outro alimento até ter 7 meses, e isso que eu tinha voltado ao trabalho com 5 meses. Mamava o leite que eu retirava na mamadeira com ponta de colher, para não ter confusão com outros bicos. Foi direto para os copinhos, fez muito acompanhamento por causa da alergia, ficamos até ele fazer dois anos, eu e ele sem tomar nada que tivesse leite ou derivados. Até hoje, ele não gosta muito de leite de vaca, prefere soja.

Amamentar sempre foi um prazer, mesmo ele acordando a noite. Mesmo tendo seus desconfortos ocasionais. E ele tem se desenvolvido independente e feliz.

Desde a gestação, nós respeitamos os ritmos dele. O parto foi normal, natural, não hospitalar, em casa de parto, sem apressarem, sem gritos. Com calma. Ele nasceu sem sobressalto: o coração dele não acelerou uma batida, graças a um ambiente e pessoas totalmente voltadas para fazer essa transição do modo mais calmo possível. Me parecia natural que esse mesmo respeito eu demonstrasse com a amamentação e o desmame.

Durante 3 anos amamentei em livre demanda. Quando ele queria, eu amamentava. E nos últimos meses, ele tem pedido cada vez menos, Primeiro começou a por conta própria mamar só de manhã e a noite, depois só a noite, depois só no meio da noite, e depois, passava dois, três dias sem mamar. Pedia de novo. Se acontecia algo diferente, voltava a mamar duas, três vezes, depois começava a espaçar de novo. Ainda tenho leite. Fazem já uns 5, 6 dias que ele não mama, e antes disso foram quase 10 dias. As vezes pede, fica olhando, olha para mim, e simplesmente deita do meu lado e ficamos juntos curtindo um ao outro. Ele percebeu que mesmo sem mamar eu continuo perto dele.

É importante para mim perceber que tudo está rolando no ritmo dele. Conforme ele se sente pronto, maduro para fazer as coisas.

Acho que isso é o mais importante para mim. Com isso, tudo tem sido sem traumas, para mim e para ele. Me sinto bem com isso, e ele também.

Ajudou muito conhecer bem o processo de amamentação e desenvolvimento da criança, porque eu consigo entender o que está rolando, então, mesmo ele tendo feito o processo, tudo que li sobre desmame natural ajudou muito a me deixar segura. Cama compartilhada também facilitou muito: ele se sente seguro com as horas que dorme junto com a gente, então não se sente abandonado por parar de mamar. Nós continuamos aqui apoiando ele.

E uma coisa boba mas importante: muito cuidado na alimentação. Quando se para de amamentar, nosso consumo calórico cai drasticamente, e é muito fácil ganhar peso. Estou agora começando a brigar com os quilinhos a mais que vieram com o processo de desmame dos últimos meses... (e sempre que uma mulher com bebê diz que quer emagrecer eu recomendo: amamente muito.)


É isso ai. Mais um passo rumo a independência... ele já não cabe no sling, está tirando a fralda (no tempo dele também, o que dá um trabalhão =P), parou de mamar. Me sinto cada vez mais segura de que minha escolha por uma gestação / parto naturais, por uma busca de exterogestação foi a coisa mais acertada que eu poderia ter feito.

Sarah Helena

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Relato de Amamentação

Relato de Amamentação de Gisela, mãe de Stella

Minha filha, Stella, nasceu em São Paulo, no dia 30 de março de 2007, uma sexta-feira, às 8:00 horas. No sábado à noite, meu peito já estava endurecendo. Chamei a enfermeira de plantão e ela me disse que se tratava da “apojadura”, que o leite estava descendo e era tudo normal, mas providenciaria o necessário. Ocorre que as enfermeiras só apareceram no dia seguinte para fazer uma compressa fria. E já era tarde demais. Até a aréola estava endurecida e minha filha não conseguia pegar o peito.

Nos horários das mamadas, passei a ir até o berçário, onde uma das enfermeiras massageava apenas a parte próxima da aréola, o suficiente para ordenhar um pouquinho de leite e dar à minha filha de copinho. A dor que eu sentia quando retiravam o leite era enorme, mas ficava pequena perto do desespero de ver minha filha chorando de fome, aguardando inocentemente aquele ritual lento... O pior é que nem sempre conseguiam ordenhar o necessário e aí veio o momento crítico: assistir uma enfermeira dando leitinho industrializado para meu bebezinho.

Quando eu recebi alta, na segunda-feira, perguntei para a enfermeira o que eu deveria fazer para resolver a situação. Ela tomou conhecimento do que estava acontecendo e se sensibilizou. Foi a primeira a me dar orientações mais consistentes, porque até aquele momento, quando mudavam os turnos, mudavam também as recomendações. Eu cheguei a ser colocada na sala de ordenha, com a finalidade de voltar com o peito mais vazio para casa. Só que não foi o bastante.

Saí da maternidade em pânico, pois sentia que não conseguiria amamentar minha filha. E os primeiros dias foram mesmo terríveis: minha filha realmente não conseguiu pegar o peito e eu não soube ordenhar leite suficiente... Além disso, embora eu já tivesse lido em revistas que o bebê não pode pegar só o mamilo, que teria que pegar também grande parte da aréola, ela estava tão dura que era impossível. Quando minha filha conseguia sugar alguma coisa pegando só o mamilo, eu acabava deixando, pois achava que assim pelo menos ela se alimentaria um pouco. O resultado foram inúmeras fissuras e uma dor lancinante.

O choro de fome da Stella era desesperador e por um triz não pedi para alguém correr na farmácia de plantão, para comprar o tal NAN. Liguei para um médico e ele chegou a me falar que uma possibilidade seria tomar um remedinho para reduzir a produção de leite até secar.

Fiquei completamente confusa.

Foi então que consegui a indicação de uma enfermeira e obstetriz especializada em amamentação, que, mesmo fazendo um atendimento em outra cidade, já me deu diversas orientações por telefone. Depois ela me atendeu em casa, me explicou que o leite tinha “empedrado” e que teria que ser retirado, porque daquele jeito minha filha não conseguiria mesmo mamar, além de eu correr o risco de a situação evoluir para uma mastite.

Essa profissional ficou quase cinco horas em casa, conversou pacientemente comigo, dando todas as orientações possíveis sobre amamentação. Ela me ensinou como eu teria que fazer para esvaziar as mamas e, depois dela fazer uma longa massagem, senti que o meu peito já tinha voltado ao normal, o que até então parecia impossível de acontecer tão rápido.

No dia seguinte, a Stella já conseguiu mamar muito bem. Continuavam, porém, as fissuras e, consequentemente, muita dor.

Com as orientações que recebi passei a tratar dos ferimentos e, passadas algumas semanas, a amamentação já tinha se tornado um prazer enorme para mim, sobretudo porque o contato que me permite ter com minha filha é encantador e gratificante. Serei eternamente grata, pois, se não tivesse recebido orientação adequada, certamente teria desistido: com medo de minha filha passar fome, eu teria recorrido ao NAN e, possivelmente, causado o desmame precoce dela.

Passei, então, a me informar ainda mais sobre amamentação. Com ajuda das outras mães do Grupo MAMA, consegui amamentar exclusivamente minha filha com leite materno até ela completar seis meses. Quando voltei a trabalhar e a Stella passou a freqüentar o berçário, comecei a ordenhar leite e mandar para escolinha, para que dessem a ela num copo com bico de silicone, doando o leite excedente para o Banco de Leite do Hospital dos Fornecedores de Cana.

O Grupo MAMA também me ensinou os benefícios da amamentação prolongada e minha filha, agora com praticamente um ano e três meses segue mamando, firme e forte.

Hoje eu entendo porque tantas mães desistem de amamentar quando encontram dificuldades como a que eu experimentei e sequer têm consciência de todas as vantagens que a amamentação traz, para elas e para os bebês. É por isso que os grupos de apoio à amamentação são tão importantes: se mais mães tiverem a ajuda certa no momento certo, mais bebês serão beneficiados com o aleitamento materno.

Gisela

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Relato de Amamentação

Relato de Amamentação de Gisele, mãe de Enzo

Me preparei a gravidez inteira para o meu parto domiciliar. Lia tudo que passasse na minha frente, no entanto nem pensei no tema amamentação, achei que fosse simples e fácil, que o meu filhote iria para o meu peito, tomaria seu leitinho e tudo ficaria feliz: que engano!

Foram 10 dias de UTI, saí do hospital com meu filho, nascido em casa, mas que teve após o parto desconforto respiratório de causa desconhecida.

Saí do hospital sem orientação nenhuma, e achando que tudo estava resolvido. Meu filho não estava ganhando peso por isso o hospital não queria liberá-lo embora ele estivesse bem. Sua alta foi feita pelo nosso pediatra na época o Cacá. Na primeira noite em casa meu filho chorou a noite toda, de fome provavelmente, pois eu não tive a feliz idéia de levá-lo ao peito! Ficava olhando para ele o tempo inteiro, mas não me dei conta de que ele precisava se alimentar. Após uma noite inteira de choro, ligamos para a avó mais próxima, que sugeriu que déssemos leite artificial para ele. E assim foi feito.

Com uma semana de vida, após a maioria das mamadas era oferecido ainda 30ml de leite artificial. Eu simplesmente não acreditava que meu leite era suficiente para ele, mesmo com os peitos cheios.

Porém, o complemento não foi o único vilão do desastre inicial da minha história de amamentação. Após um mês, não entendia como meus peitos poderiam estar ainda tão machucados e feridos. Não havia nada que os fizesse cicatrizar, nem lansinoh, nem sol, nem casca de mamão e banana, nem secador nada… Eu tentei de tudo. Eu chorava o dia inteiro desconsolada pois não conseguia amamentar sem dor. Sentia fisgadas medonhas durante cada mamada e me lembrava quão melhor tinha sido sensação da dor do parto, perto da dor que eu sentia ao amamentar o meu filho. A cada fim de mamada eu prometia a mim mesma que ia comprar uma mamadeira para ele e desistir de amamentar.

Quando o Enzo completou 30 dias de vida, o diabinho do complemento ainda rondava a nossa mamada e então decidi: a partir de hoje não dou mais uma gota de leite artificial para ele, nem que meus bicos caiam. E assim foi. Eu amamentava com uma dor maldita, até que ele ficasse satisfeito. O suor escorria pelo meu rosto a cada mamada, cheguei uma vez a desmaiar de dor mas promessa é promessa e desde então nunca mais voltei atrás.

Sentia um vazio enorme, a dor ao amamentar era muito grande. Com ela vinha uma sensação de impotência muito grande, eu achava que não tinha leite, que meu filho estava magro, que eu não era capaz de nutrí-lo com eficiência. Não me passava pela cabeça que eu fui capaz de alimentar o meu filho durante 9 meses na minha barriga, por que não conseguiria agora?

Vivia o tempo inteiro verificando o estoque de leite nos meus seios. Eu realmente achava que eles precisavam estar sempre pingando de leite, que eles sempre deveriam estar cheios e quando eu os sentia um pouco murchos, eu começava a achar que meu leite ia secar. Tomei vários remédios, vivia fazendo compressas quentes para aumentar uma produção que já era abundante, no entanto eu não me dava conta. Era uma insegurança desmedida.
Mas a dor não melhorava nunca e eu cada dia que passava, pensava em desistir.
Após muito conversar com o Cacá, pediatra do Enzo, com as meninas da lista, da Matrice, navegar horas e horas na Internet em busca de uma possível solução, começamos a desconfiar que a pega dele pudesse estar errada e realmente estava. Consultamos uma fonoaudióloga especialista em amamentação que constatou alguns problemas: pega, posição e movimento da língua incorretos. Além disso ela afirmou que ele tinha uma sucção extremamente forte, que aliada a minha pele clara, contribuía ainda mais para machucar os meus seios.

Comecei então uma série de exercícios para tentar melhorar a pega dele, que realmente começaram a dar resultados positivos, no entanto meu peito nunca cicatrizava. O Enzo completava dois meses, a pega estava bem melhor que no início, no entanto meu seio continuava muito machucado, avermelhado e a dor na mamada era absurda. Em algumas mamadas eu tirava meu leite com uma bomba manual para não ter que oferecer o peito. Eram algumas mamadas de alívio.

Discutindo com os profissionais que estavam me ajudando, chegamos à conclusão que eu poderia estar com Monilíase mamária, ou candidíase, e comecei então a fazer o tratamento. Começamos com um remédio que eu passava no meu seio e no cantinho da boquinha do Enzo. Uma luz no fim do túnel: a dor começava a diminuir. Como eu fiquei feliz! Porém a minha felicidade durou pouco. Meu seio de uma hora para outra e sem explicação começou a piorar novamente e amamentar voltou a ser um pesadelo.
Novamente no médico, chegamos à conclusão que seria necessário que eu tomasse remédio via oral. Iniciamos então com uma dose baixa. Tomei comprimidos durante 14 dias, passava remédio no seio, na boquinha dele e nada do meu seio melhorar. O Enzo já estava com 3 meses e eu mal conseguia sair de casa, pois começava a chorar só de imaginar ter que amamentar em público e ter que conter a minha dor, fazendo cara de paisagem. Eu sentia dores horríveis. A vontade que eu tinha era de jogá-lo para cima na hora da mamada e eu me sentia muito mal por isso, pois o que eu mais queria era amamentar. Fomos para o último plano: remédio via oral em doses altas. E assim fiz. No começo comecei a ficar desesperada pois não via efeito nenhum e essa era a minha última esperança. Tomei esse remédio por 6 semanas consecutivas e perto do Enzo completar 4 meses comecei a sentir o verdadeiro prazer de amamentar, sem dor, sem medo, sem tensão.

Quando o Enzo tinha 3 meses, comecei a fazer estoque de leite materno para quando eu voltasse a trabalhar, o que aconteceria dentro de 3 meses. Aos poucos meu freezer estava cheio de leite, o que fazia com que a minha auto-estima aumentasse. Acho que isso ajudou muito a minha melhora.

No meio dessa corrida toda, eu mostrei meus peitos para tanta gente em busca de uma solução para minha dor. Só não usei como remédio titica de galinha, do resto eu fiz de tudo: vitamina C, sol, complexo vitamínico, banho de luz, secador, pomadas mil, conchas, absorventes, seios amostra, cascas de frutas.

Meu histórico para uma amamentação bem sucedida era catastrófico: bebê internado 10 dias na UTI, pega completamente errada, a pele do seio bem clara, sucção forte, falta de informação, insegurança, seios machucados, monilíase e embora meu filho ganhasse um peso adequado à curva de crescimento, ele tinha um estereótipo magro e todo mundo que o via, dizia que ele estava magro, sugerindo que meu leite não era suficiente ou era fraco, e quando ele chorava, sempre escutava palpites que era de fome, pois um bebê magro normalmente não parecia estar bem alimentado, uma vez que não era um bebê gordo na visão das pessoas.

Todo esse sofrimento para amamentar, não foi em vão. Eu sofri a cada mamada mas ao mesmo tempo eu fui muito atrás de informação: lia livros, sites de amamentação, conversava muito com gente que acreditava que da mesma maneira que eu fui capaz de gerar, nutrir e parir, eu seria capaz de amamentar o meu filho exclusivamente.

Tudo o que aprendi neste tempo, tento colocar em prática, ajudando mães a ter auto-confiança a amamentar exclusivamente.

Com 5 meses decidi alugar uma bomba elétrica para aumentar a minha produção e consecutivamente meu estoque no freezer. Com 6 meses voltei a trabalhar. Tiro meu leite no trabalho 2 vezes por dia, deixo na geladeira e transporto para casa no final do dia. Separo o leite em potes menores, coloco no freezer, somando-se ao estoque que já tinha. Mesmo passando no mínimo 12 horas fora de casa, continuo amamentando. Amamento antes de sair, quando volto e ele ainda não está dormindo e ele toma meu leite outras 3 vezes durante o dia enquanto eu estou fora, além de ter uma alimentação variada.

Hoje sei que tudo o que eu passei talvez eu precisasse passar para então ajudar tantas mães com quem tenho conversado e dividir tudo o que eu aprendi. Hoje sei que amamentar não é fácil, mas que a tranqüilidade é tudo e é fator determinante para o seu sucesso. Hoje sei que meus seios nunca precisariam estar cheios de leite, para que meu filho ficasse satisfeito. Hoje entendi que muitos dos meus sofrimentos foram inúteis e que poderiam ser amenizados com um mínimo de informação sobre a dinâmica do leite.

Meu filho hoje está com 10 meses, é um bebê saudável e extremamente feliz. Meus peitos hoje não enchem mais, mas eu me sinto extremamente segura de que tenho leite suficiente para deixá-lo satisfeito a cada mamada e que toda a passagem da minha amamentação, só contribuiu para que eu ajude muitas mães que hoje passam pelas mesmas inseguranças que eu passei.

Gisele, mãe do Enzo,
nascido em 02 de setembro,
de parto domiciliar.

Amamentar é a verdadeira junção das palavras mamãe e amar.