segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Relato de amamentação

Relato de amamentação de Raquel, mãe de Elias

Quando engravidei pensei e planejei muito o parto, mas em momento nenhum pensei no depois, em como seria a amamentação. Para mim seria uma coisa simples, era só colocar no peito para mamar e pronto.
Não sei até onde esta minha falta de expectativas foi boa ou ruim. Em partes foi bom porque não fiquei com medo de ter problemas de algo dar errado, não tive frustrações porque não foi como eu queria, as coisas simplesmente foram acontecendo...
A única coisa que eu tinha era certeza que teria leite e que teria muito.
Na minha família todas tiveram bastante leite, lembro da minha tia doando leite, ela amamentou os cinco filhos, o mais novo até uns quatro anos. Minha mãe amamentou os quatro e lembro-me dela dizendo em vários momentos que tinha que tirar um pouco o excesso de leite para eu não engasgar, porque eu espaçava mais as mamadas que os outros três. Minha irmã, também amamentou a filha, vazava leite até quase um ano. Então a única ciosa que eu esperava era ter bastante leite!
Sei que ter muito leite não quer dizer nada, mas esta era a única expectativa que eu tinha.


O Elias nasceu, veio direto para o meu colo com o cordão ainda pulsando. Eu sem saber bem como tudo funcionava tentei colocá-lo para mamar direto sem deixá-lo descobrir primeiro, meu cheiro, minha pele, como se naquela hora ele tivesse que mamar, subestimei um pouco o contato que é tão essencial.

Acabou que ele não mamou naquela hora, teve apenas o contato, meu colo. Hoje me questiono que se não tivesse conduzido tanto aquele momento ele poderia ter sido mais especial e ele poderia ter descoberto meu seio, meu mamilo, ter mamado na primeira hora, coisas que considero tão importante e que é uma das coisas que pretendo superar com o próximo filho, sentir que fiz melhor.

Não sei bem que horas que ele mamou mesmo, porque eu dormi, não sei se foram 2 horas depois ou se foram 4, mas ele mamou. Fiz as coisas com a simplicidade que esperava que fossem, coloquei-o no peito e dei de mama, não sabia nem percebi que ele pegava errado, fazia muito barulho para mamar, a enfermeira depois veio me explicar que não podia fazer barulho, me mostrou como deveria ser a pega, como ele tinha que abocanhar, não tive muita dificuldade para corrigir a pega, mas este primeiro dia de pega errada me rendeu uma pequena fissura, nada grave, mas doeu por vários dias.

Segundo dia meu seio começa a ficar inchado, outra coisa me faltava conhecer melhor, apojadura. O pouco que sabia era da minha irmã comentar de quando o leite dela desceu.

Já me casa meu seio muito duro, mal dava para o Elias abocanhar. Antes de dar mama eu fazia uma pequena massagem ao redor do mamilo e tirava um pouco de excesso para ele conseguir pegar o seio, esta pelo menos foi uma das poucas informações sobre amamentação que levei da minha gestação.

Nas primeiras noites ele mamava de hora em hora, eu não sabia que existia gente que ensinava bebê a mamar com horários então pensava que estes horários iam surgir naturalmente. Demorou um pouco para ele ter um horário mais padronizado, mas não demorou muito para ele não acordar mais de hora em hora à noite...

Assim foram passando os dias, no começo ele ficava bravo com o excesso de leite, mas logo ele aprendeu a mamar ‘cuspindo’ o excesso, tinha que deixar uma fralda de pano sob a boca dele para pegar este excesso que escorria. Além de outra fraldinha no outro seio que vazava enquanto ele mamava.

Ele não tinha padrão nenhum durante o dia às vezes fazia intervalos de 30 min. outras raras vezes fazia de quase 2 horas, eu com receio de que não mamasse o leite gordo do final da mamada resolvi que se mamasse muito perto daria o mesmo seio, trocava de seio a cada 2 horas, a cada intervalo de 2 horas um seio não importa quantas mamadas ele fizesse, em menos de 2 horas seria no mesmo seio e mesmo assim ele não chegava a esvaziar o seio.

Com um pouco menos de um mês ele fez pela primeira vez um intervalo de 5 horas direto dormindo, este primeiro intervalo foi aumentado aos poucos, com três meses ele fazia entre 8 e 10 horas seguidas, mas isto tinha um inconveniente, meus seios ficavam muito cheios e eu chegava a acordar com dor nos seios. Resolvi começar a tirar leite antes de dormir para não acordar com dor durante a noite, esvaziava os seios à noite antes do banho, não tinha ainda banco de leite na cidade, este leite era usado então para as mais diversas coisas, desde alimentar as cachorras até ser passado como hidratante de pele durante o banho. Às vezes eu media por curiosidade, tirava em um copo, outras vezes tirava dentro do Box deixando escorrer pelo corpo, eram uns 100/200 ml jogados fora diariamente. Aos poucos fui tirando menos e a produção se ajustando até que não precisei mais tirar o excesso antes de dormir para dormir confortável.

Com dois meses ele começou a chupar dedo, para mim no começo isto foi motivo de grande preocupação, mas fui atrás de pessoas que o filho tivesse chupado dedo e o que encontrei é que crianças amamentadas por pelo menos dois anos costumavam parar de chupar o dedo sozinhas antes disso, as que mantinham geralmente tinham sido desmamadas antes dos dois anos. Como eu pretendia amamentar por dois anos, como a OMS recomenda, fiquei mais tranqüila. Às vezes ele largava o peito para chupar o dedo. Sempre que via ele chupando o dedo tentava tirar e dar o peito, tinha vez que isto o deixava muito bravo, tinha vez que funcionava.

Desde que nasceu ele nunca dormiu no quarto dele, no começo deixava num moisés ao lado da cama, depois a primeira dormida era no berço, depois vinha para o meu lado. Apesar dele dormir boas horas de sono seguidas, o resto de noite que faltava ele acordava com intervalo máximo de 1 hora e meia, acordando umas três vezes até acordar de vez. Então ele dormir este finalzinho ao meu lado me ajudava muito a descansar e ajudava na amamentação noturna. Quando começou a esfriar o tempo e eu tomei mais coragem assumimos de vez a cama compartilhada e ele passou a dormir a noite todo ao meu lado, o que facilitou ainda mais as acordadas.

Os seis meses se aproximavam e eu comecei a questionar porque eram seis meses para introdução dos alimentos e não cinco ou sete? As únicas respostas que encontrei foram que antes dos seis meses não poderia dar nada, mas que poderia adiar um pouco a introdução. Sem o peso dos seis meses nas costas fui levando mais um pouco. Meus irmãos vieram visitar, fomos viajar e assim se passou mais um mês. Com sete meses já planejando introduzir os alimentos o Elias pegou uma virose, não só ele como meu marido, eu meu irmão, meu pai e mais metade das pessoas que encontramos no aniversario do meu irmão. Muitos vômitos, diarréia, muito leite materno e algum remédio, dado na colher. Ele chegou a quase desidratar, não aceitou soro, mas o leite materno foi suficiente para não deixá-lo piorar mais. Com esta virose ele começou a acordar mais a noite e seguiu acordando por muito tempo...

Depois que ele melhorou resolvemos começar com os alimentos. Ele tinha criado certa repulsa pelas colheres já que eu tinha dado algum remédio nelas e ele só as tinha conhecido para isto.
Já havia lido que quando a criança está pronta para os alimentos ela tem já certa capacidade de se alimentar sozinha, então foi assim que começamos: Elias, comida e muita sujeira!! Depois comecei com a colher e bem aos poucos com todos os alimentos.

Só depois de um ano que fui levar a alimentação mais a serio, evitar que ele mamasse antes de uma refeição, tentar dar sempre nos mesmos horários, ele foi comendo cada vez mais e reduzindo aos poucos as mamadas.

Com um ano e pouco ele fez uma greve de amamentação. O que é uma greve? É quando a criança para subitamente de mamar e isto dura apenas alguns dias, ele ficou quatro dias praticamente sem mamar, nos primeiros dois ele até pedia o peito, mas não mamava, pagava e largava, nos outros dois nem isto, nem mesmo a noite, nem dormindo.

Foi difícil para mim, eu não sabia o que era esta tal de greve e tive muito medo do desmame, para mim, amamentar menos do que a OMS recomenda seria em parte um fracasso, além de que não acho que nem eu nem ele estávamos prontos, ele ficava com o dedo na boca olhando para mim, como se quisesse mamar, mas algo o impedisse. Depois destes quatro dias ele mamou dormindo e aos poucos foi voltando a mamar, depois para compensar ele mamou muito mais do que de costume por umas duas semanas. Lógico que com esta grave a produção diminuiu e em partes ele mamar mais foi uma forma de estimular a produção a voltar ao normal.

A partir da greve ele foi aos poucos diminuindo a sucção digital, até que com um ano e oito meses ficou uma semana sem chupar o dedo, depois mais umas e foi indo assim por mais um mês até que ele largou de vez, com um ano e dez meses ele já não chupava mais dedo e pouco depois já parecia que nem sabia o que era aquilo, confirmando minha teoria de que se eu mantivesse a amamentação ele largaria o dedo antes dos dois anos.

Desde que ele passou a acordar a noite eu adiei tomar alguma atitude. Pensei em esperar um ano, depois um ano e meio, depois dois anos, mas geralmente pensava em fases que ele acordava mais e quando passavam eu resolvia levar mais e não fazer um desmame noturno. Eu nunca gostei da idéia de negar o mama, mesmo à noite e sempre acreditei que a amamentação noturna tinha certa função, afinal o pico de prolactina, hormônio responsável pela produção, ocorre na madrugada e nunca achei que isto fosse por acaso.

Quando decidimos pelo segundo filho comecei a pensar mais no desmame noturno, já sabia que poderia amamentar durante a gestação se ela não fosse de risco, já tinha decidido fazê-lo, mas amamentar dois a noite não estava nos meus planos. Conversando com uma amiga ela disse que os filhos passaram a dormir a noite toda durante suas gestações, resolvi então esperar engravidar, afinal teria mais nove meses para resolver isto.

Engravidei, os seios ficaram mais sensíveis, mas a amamentação continuou sem maiores problemas, às vezes tinha que arrumá-lo no peito ou tomar mais cuidado quando ele pegava ou soltava o seio se fosse de qualquer jeito poderia doer.

Com três meses de gestação e o Elias tendo dois anos e meio, resolvi desmamar a noite, de uma forma bem lenta e calma. Simplesmente parei de oferecer, se ele resmungava tentava confortá-lo de outra forma, se não tivesse jeito dava mama. Só com isto em poucas semanas ele já dormia bem melhor.

Conforme a gestação foi caminhando o leite foi diminuindo, cada vez menos leite, eu já não consigo mais tirar uma gota, mas ele ainda mama normalmente, bem menos vezes. A gestação segue tranqüila, uma coisa não está interferindo na outra, não dói para dar de mama, o peito fica mais sensível o que faz com que eu tenha que tomar mais cuidado principalmente quando ele quer mexer a cabeça mamando ou na hora em que vou tirar o peito.

Aos poucos ele foi reduzindo as mamadas, mesmo antes de eu engravidar ele já não mamava mais tantas vezes. Aos dois anos ele mamava em media umas cinco vezes, agora quase no final da gestação ele tem mamado apenas umas três vezes, acredito que quando o bebê nascer ele vá querer mamar mais vezes, mas vejo que ele está em processo de desmame, não sei bem quanto tempo isto vai levar, se vai ser alguns meses ou mais de um ano, mas percebo que ele está desmamando no ritmo dele e que uma hora ele vai parar. Eu pretendo levar até onde ele for e vamos ver como será amamentar dois filhos...

Raquel, mãe de Elias 2 anos e 9 meses mamando

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Voltamos com nossas reuniões semanais

É com muita alegria que informamos que temos um novo local para realizar as nossas reuniões semanais!

Assim, gostaríamos de convidá-las para o próximo encontro, que será realizado AMANHÃ, dia 02/10, às 15:30, no Centro de Atendimento Integrado – CAI, Rua Delina Tarcia, 141, Algodoal (telefone do local: 3412-2910).
Seguiremos fazendo os encontros às quintas-feiras, neste mesmo local e horário.

Este local pertence ao Hospital dos Forncedores de Cana e firma ainda mais a nossa parceria com o Banco de Leite Humano, que dá todo o respaldo profissional para nossas indagações.

Lembrem-se que os bebês também são nosso convidados!

As reuniões são para falarmos dos problemas e das alegrias de amamentar, em todas as fases. Aproveitem para encontrar outras mães com bebês pequenos e ouvir suas experiências.

Aberto a gestantes, mães, pais, enfim, todos que estão dispostos a conversar sobre a arte de amamentar, podendo não só serem ajudadas por outras mães, mas contribuir muito com sua experiência.

Também é objetivo do nosso grupo divulgar e promover uma cultura de amamentação.
Mesmo que não existam dúvidas nem dificuldades, venha partcipar das nossas reuniões! Sua participação é importante para juntas tentarmos recriar uma cultura mais amiga da mãe que amamenta.

Maiores informações, entre em contato através do e-mail grupomama@terra.com.br ou dos telefones 9608-7275 - Juliana ou 9663-9858 - Raquel

Participem com a gente e nos ajudem a divulgar as reuniões!!

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Saúde convoca doadoras de leite humano

http://www.saopaulo%20.sp.gov.br/%20sis/lenoticia.%20php?id=99130&

Em comemoração ao Dia Nacional da Doação de Leite Materno, que acontece na próxima quarta-feira, 1, a Secretaria de Estado da Saúde promove durante toda a semana uma campanha de sensibilização para convocar doadoras de leite de todo o Estado.

A mulher em período de amamentação que tiver leite sobrando e quiser beneficiar outro bebê, poderá procurar um banco de leite. São Paulo é o Estado que tem o maior número de bancos de leite humano, sendo 23 na Grande São Paulo e 30 pelo interior.

A lista completa das unidades pode ser consultada por este endereço eletrônico. O leite humano doado é pasteurizado, submetido a controles de qualidade e distribuído aos recém-nascidos prematuros e outros lactentes clinicamente impossibilitados temporariamente de serem amamentados ao seio materno.

Devido às propriedades nutricionais e imunológicas do leite materno, a recuperação e o desenvolvimento desses recém nascidos ocorre mais rápido.“Contamos com a colaboração e solidariedade das mães que estão amamentando e podem doar. O que para você pode ser apenas leite, para a criança é vida” explica Maria José Guardia Mattar, coordenadora do banco de leite humano do Hospital Maternidade Estadual Leonor Mendes de Barros.

Na capital, o Banco de Leite Humano do Hospital Maternidade Leonor Mendes de Barros está à procura de novas doadoras para manter o estoque do leite humano. Com a proximidade do final de ano a quantidade de leite arrecadado está diminuindo e tende a cair ainda mais devido às festas e também às viagens das doadoras durante as férias.Para ser doadora a mãe deve ser saudável e estar amamentando exclusivamente seu filho.

A coleta do leite é feita diariamente pela equipe do Banco de Leite em parceria com o Corpo de Bombeiros através do Projeto Bombeiros da Vida e visita as doadoras semanalmente em sua residência. Elas recebem todas as orientações sobre: higiene, ordenha, conservação e armazenamento do produto; e além disso, todo leite que chega ao banco é pasteurizado e passa por exames de controle de qualidade físico químico e microbiológico antes de ser fornecido aos bebês.

Vantagens

Para a Mãe: menor sangramento, o peso volta mais rapidamente, pode reduzir câncer de mama, de ovários e osteoporose, maior período de amenorréia e espaçamento entre gestações, aumenta o vínculo mãe e filho, maior praticidade e satisfação.

Para o Bebê: alimento completo tanto nutricional como imunológico, protege de infecções, de processos alérgicos e de doenças crônicas, maior vínculo afetivo e desempenho nos testes de inteligência, previne problemas ortodônticos e fonoarticulató rios, maior período de amamentação com diminuição da morbidade e mortalidade infantil e menor risco de maus tratos e abandono.

Para a Família: melhor qualidade de vida, mais prático, econômico, melhor vinculo familiar, menor gasto com doenças e com a economia maior investimento em outros alimentos e bens de consumo da família.

Para o Hospital: menos internações por doenças infecciosas, menos infecções cruzadas e menor índice de infecção hospitalar, diminui o tempo de permanência hospitalar e com alojamento conjunto há maior aproveitamento de espaço e da equipe para orientações e cuidados, melhor qualidade de assistência e melhor prestígio hospitalar.

Para Sociedade e Meio Ambiente: melhor qualidade de vida, menos falta ao trabalho materno, menos doenças infantis, menor mortalidade infantil, economias diversas de importações e menor dano ecológico com melhor qualidade do ar atmosférico.

A introdução de Alimentos Artificiais precocemente além de favorecer o desmame precoce, aumenta a morbidade e mortalidade infantil, e a mulher perde os benefícios da amamentação contra doenças crônicas.

Bancos de leite humano

EM PIRACICABA - HOSPITAL DOS FORNECEDORES DE CANA - Banco de Leite Humano Maria Gessy Cardoso Ribeiro - Fone 3403-2820 ramal 2820, Avenida Barão de Valença, 716 Vila Rezende (adição nossa)

1. CENTRO DE REFERÊNCIA DE SÃO PAULO / HOSPITAL MATERNIDADE ESTADUAL LEONOR MENDES DE BARROS – Fone:(11)2692-4068 Avenida Celso Garcia, 2477 – 3º andar - Belenzinho – São Paulo
2. HOSPITAL MATERNIDADE INTERLAGOSRua Guaiuba, 312 - Interlagos
3. HOSPITAL IPIRANGA Avenida Nazaré, 28 – 7º andar – São Paulo
4. CONJUNTO HOSPITALAR DO MANDAQUI Rua Voluntários da Pátria, 4301 – São Paulo
5. HOSPITAL REGIONAL SULRua Gen. Roberto Alves de Carvalho Filho, 270 – Santo Amaro
6. HOSPITAL SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL Rua Pedro de Toledo, 1800 – 1º andar – Ibirapuera – São Paulo
7. HOSPITAL GERAL DE VILA PENTEADO Avenida Ministro Petrônio Portela, 1642 – São Paulo
8. HOSPITAL GERAL DE ITAPECERICA DA SERRA Rua Santa Cruz, 200 – Itapecerica da Serra
9.HOSPITAL ESTADUAL MARIO COVAS - SANTO ANDRÉRua Doutor Henrique Calderazzo, 321 - Santo André
10. HOSPITAL GERAL DE PEDREIRARua João Francisco Moura, 251 – Vila Campo Grande
11. HOSP. DAS CLÍNICAS DE RIBEIRÃO PRETO Rua 7 de setembro, 1050 – Ribeirão Preto
12.HOSPITAL REGIONAL DE ASSIS Praça Symphronio Alves Santos, s/nº - Centro – Assis
13.CONJUNTO HOSPITALAR DE SOROCABA Avenida Comendador Pereira Inácio, 564 – Sorocaba
14. CAISM - CENTRO DE ATENÇÃO INTEGRAL A SAÚDE DA MULHER (UNICAMP)Av. Alexander Fleming, nº. 01 - Cidade Universitária Zeferino Vaz – Campinas
15. HOSPITAL GUILHERME ÁLVARO (SANTOS)Rua Oswaldo Cruz, 197, Boqueirão - Santos

Da Secretaria da Saúde

domingo, 28 de setembro de 2008

Desmame total – quando?

Desmame total – quando?
Dr. Marcus Renato, 28/3/2003

Esta é uma questão polêmica no mundo ocidental na atualidade. As mulheres têm recebido conselhos contraditórios, porque nós profissionais de saúde não chegamos à um consenso. A Academia Americana de Pediatria recomenda que os lactentes devem ser desmamados já aos 12 meses, enquanto a OMS e o UNICEF afirmam que os bebês devem ser amamentados até os 2 anos ou mais . Algumas mulheres ocultam que ainda amamentam seus filhos maiores de 1 ano para evitar a desaprovação dos pediatras e dos membros da família.

Estudos antropológicos revelam que em muitas culturas não ocidentais as mulheres amamentam comumente seus filhos até os 3-4 anos. Serão elas ou nós os excêntricos ? 
Não seria interessante nos compararmos a outros mamíferos para determinar qual a idade do desmame “ideal” se não tivéssemos sido influenciados por questões comerciais ou culturais?

Desmame ao alcançar o triplo do peso do nascimento - Esta idéia de que os mamíferos desmamam quando suas crias triplicam ou quadruplicam seu peso de nascimento aparece extensamente na bibliográfica sobre Amamentação (Lawrence, 1989). As pesquisas indicam que o desmame nos grandes mamíferos (incluídos os primatas – macacos, chipanzés, gorilas e o homem) ocorre alguns meses depois que o peso do nascimento de nossos filhos quadruplicam (Lee, Majluf & Gordon, 1991). Nosso lactente quadruplica seu peso ao nascer em torno dos 27 meses (os meninos) e aos 30 meses (as meninas).

Desmame ao alcançar 1/3 do peso do adulto - Estudos sugerem que os primatas se comportam como outros mamíferos desmamando a cada um dos seus descendentes quando eles alcançam um terço do peso de adulto (Charnov & Berrigan, 1993). Os humanos: alcançamos tamanhos bastante variáveis, porém com este critério o desmame teria lugar entre os 4 – 7 anos de vida.

Desmame de acordo com o tamanho corporal feminino - Harvey & Clutton-Brock (1985) publicaram um estudo que incluía uma equação para calcular a idade do desmame em função do peso do corpo da mulher adulta. Esta fórmula prediz que o desmame para os humanos seria entre os 2,8 e 3,7 anos.

Desmame em função da duração da gestação - Entre as espécies de primatas de grande tamanho, a duração do período de aleitamento materno excede amplamente a duração média do período de gravidez. Para os primatas mais próximos da espécie humana, o Chipanzé e o Gorila, a duração da amamentação é superior em mais de 6 vezes a duração do período gestacional. Os humanos: nos encontramos entre os primatas maiores e compartimos mais de 98 % do material genético com os Chipanzés e Gorilas. Utilizando-se deste critério, a idade natural do nosso desmame seria 4,5 anos – 6 vezes a duração da gravidez.

Desmame em função das erupções dentárias - De acordo com as investigações de Smith (1991), muitos primatas desmamam sua prole quando rompem os seus primeiros molares permanentes. Nossos molares emergem entre os 5,5 ou 6 anos. É interessante salientar que nossos filhos alcançam autonomia imunológica em torno dos 6 anos de vida, o que nos permite inferir que, ao longo de nosso recente passado evolutivo, nossas crianças dispunham de uma imunidade ativa até esta idade aproximadamente.

Os dados disponíveis sugerem que as crias humanas estão desenhadas para receber todos os benefícios do Aleitamento ao Seio durante um período mínimo de 2,5 anos e um aparente limite máximo de 7 anos. Hoje em dia muitas sociedades podem satisfazer as necessidades nutritivas das crianças a partir do 3º/4º ano de idade com alimentos de adultos modificados. As sociedades industrializadas podem compensar alguns (e não todos) os benefícios imunológicos da amamentação por meio de vacinas, antibióticos e melhorias sanitárias e higiênicas. Porém, as necessidades físicas, cognitivas e emocionais das crianças persistem.

Os profissionais de saúde, principalmente os pediatras, nutricionistas, psicólogos, os pais e o público em geral deveriam tomar consciência de que para alguns autores, entre os 3 e os 5 anos é uma idade razoável e apropriada para o desmame dos humanos, ainda que seja pouco habitual, e não cultural em nossas sociedades amamentar uma criança quando ela não é mais um bebê.

Referência
Dra. Katherine A, Dettwyler – Departamento de Antropologia – Texas A & M University College Station Texas. “Breastfeeding Abstracts” Ag. 1994, Vol . 14, no. 1

Leitura recomendada
“Tabus e Temores acerca del Destete Tardio” por Justin P. Call, MD (”Nuevo Comienzo” Nov.- Dec. 1990)

Agradecimento
Profa. Dra. Alejandra Marina Mercado – Universidad Nacional Del Camahue – Escuela de Medicina - Argentina

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Relato de desmame natural

Relato de desmame natural de Sarah, mãe de André

André tem 3 anos, tem um histórico de alergia a leite de vaca mesmo sendo amamentado exclusivamente (ele se sensibilizou por causa, provavelmente, de um hidratante a base de leite, nos primeiros dias de vida, e desenvolveu alergia a proteína do leite de vaca que eu consumia e chegava a ele através do meu leite). Ficou no peito sem experimentar nenhum outro alimento até ter 7 meses, e isso que eu tinha voltado ao trabalho com 5 meses. Mamava o leite que eu retirava na mamadeira com ponta de colher, para não ter confusão com outros bicos. Foi direto para os copinhos, fez muito acompanhamento por causa da alergia, ficamos até ele fazer dois anos, eu e ele sem tomar nada que tivesse leite ou derivados. Até hoje, ele não gosta muito de leite de vaca, prefere soja.

Amamentar sempre foi um prazer, mesmo ele acordando a noite. Mesmo tendo seus desconfortos ocasionais. E ele tem se desenvolvido independente e feliz.

Desde a gestação, nós respeitamos os ritmos dele. O parto foi normal, natural, não hospitalar, em casa de parto, sem apressarem, sem gritos. Com calma. Ele nasceu sem sobressalto: o coração dele não acelerou uma batida, graças a um ambiente e pessoas totalmente voltadas para fazer essa transição do modo mais calmo possível. Me parecia natural que esse mesmo respeito eu demonstrasse com a amamentação e o desmame.

Durante 3 anos amamentei em livre demanda. Quando ele queria, eu amamentava. E nos últimos meses, ele tem pedido cada vez menos, Primeiro começou a por conta própria mamar só de manhã e a noite, depois só a noite, depois só no meio da noite, e depois, passava dois, três dias sem mamar. Pedia de novo. Se acontecia algo diferente, voltava a mamar duas, três vezes, depois começava a espaçar de novo. Ainda tenho leite. Fazem já uns 5, 6 dias que ele não mama, e antes disso foram quase 10 dias. As vezes pede, fica olhando, olha para mim, e simplesmente deita do meu lado e ficamos juntos curtindo um ao outro. Ele percebeu que mesmo sem mamar eu continuo perto dele.

É importante para mim perceber que tudo está rolando no ritmo dele. Conforme ele se sente pronto, maduro para fazer as coisas.

Acho que isso é o mais importante para mim. Com isso, tudo tem sido sem traumas, para mim e para ele. Me sinto bem com isso, e ele também.

Ajudou muito conhecer bem o processo de amamentação e desenvolvimento da criança, porque eu consigo entender o que está rolando, então, mesmo ele tendo feito o processo, tudo que li sobre desmame natural ajudou muito a me deixar segura. Cama compartilhada também facilitou muito: ele se sente seguro com as horas que dorme junto com a gente, então não se sente abandonado por parar de mamar. Nós continuamos aqui apoiando ele.

E uma coisa boba mas importante: muito cuidado na alimentação. Quando se para de amamentar, nosso consumo calórico cai drasticamente, e é muito fácil ganhar peso. Estou agora começando a brigar com os quilinhos a mais que vieram com o processo de desmame dos últimos meses... (e sempre que uma mulher com bebê diz que quer emagrecer eu recomendo: amamente muito.)


É isso ai. Mais um passo rumo a independência... ele já não cabe no sling, está tirando a fralda (no tempo dele também, o que dá um trabalhão =P), parou de mamar. Me sinto cada vez mais segura de que minha escolha por uma gestação / parto naturais, por uma busca de exterogestação foi a coisa mais acertada que eu poderia ter feito.

Sarah Helena

domingo, 14 de setembro de 2008

Licença maternidade de 6 meses

Lula sanciona lei que aumenta período da licença-maternidade para 6 meses
LÍSIA GUSMÃO
da Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou nesta terça-feira o projeto que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses, sendo a concessão dos últimos 60 dias opcional para a empresa.
Para as servidoras públicas, a mudança entra em vigor após a publicação no "Diário Oficial" da União, já nesta quarta-feira. Para as funcionárias de empresas privadas, a prorrogação da licença só vale a partir de 2010 e precisa ser negociada com o patrão, por ser opcional.
A empresa que optar pela concessão de mais dois meses de licença-maternidade poderá abater do IR (Imposto de Renda) o total da remuneração integral pago à funcionária no período adicional.
Lula vetou dois pontos do projeto. Segundo a Casa Civil, a medida não vale para micro e pequenas empresas que fazem parte do Simples, uma vez que já desfrutam de isenções fiscais, como alegou o Ministério da Fazenda.
O presidente Lula também vetou a possibilidade de isenção do pagamento da contribuição previdenciária na prorrogação da licença, atendendo a um pedido do Ministério da Previdência.
De acordo com a Casa Civil, ficam mantidas, para o período adicional, as mesmas regras válidas para os quatro meses iniciais, ou seja, a empresa continuará pagando a contribuição previdenciária, mas pode pedir a dedução do imposto devido.
Para usufruir da licença de seis meses, a trabalhadora terá de requisitá-la até o fim do primeiro mês depois do parto --a medida vale também para adoção. Já a pessoa jurídica precisará aderir ao programa --sem adesão, a licença permanece em 120 dias.
O custo da ampliação da licença-maternidade foi calculado pela equipe econômica em R$ 800 milhões. Atualmente, 93 municípios e 11 Estados, segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, já permitem que as mães desfrutem de seis meses de licença.

sábado, 13 de setembro de 2008

Próxima reunião mensal - dia 20/09 - Sábado

Este mês de setembro, nossa reunião mensal será no sábado, dia 20 às 16 horas, no parque da Rua do Porto, ao lado do parquinho.

Lembramos que a reunião é aberta a gestantes, mães com seus bebês, pais, enfim, todos os interessados em conversar sobre a arte de amamentar.

Não é necessário inscrição, é gratuito.

Contamos com sua presença!

Maiores informações pelo telefone 9608-7275 (Juliana) ou 9663-9858 (Raquel) ou pelo email grupomama@terra.com.br.