sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Relato de amamentação e volta ao trabalho

Relato de volta ao trabalho de Gisele, mãe de Enzo

Amamentar é muito bom mesmo! A data da volta ao trabalho estava por chegar e ansiedade do que fazer para continuar amamentando era uma preocupação constante, ainda mais que a minha história de amamentação fora uma tragédia em três atos: problemas de “pega”, monilíase, complemento por 20 dias, seios muito machucados. Aconteceu de tudo mesmo e cada obstáculo foi superado com muita informação, muita gente me apoiando, me dizendo o quanto era importante o meu leite, e dia após dia, a promessa de dar a mamadeira na próxima mamada ia caindo por terra, e um problema após o outro ia se transformando em satisfação em amamentar exclusivamente o meu bebê até os 6 meses, como eu sempre sonhava. O complemento foi abandonado quando o Enzo tinha um mês. Eu prometi a mim mesa: morro de dor, mas amamento o meu filho exclusivamente. E joguei a lata de NAN no lixo.

Aos três meses, comecei a experimentar a ordenha manual. Fui me informando aos poucos nos sites, como fazer, como armazenar o leite, como oferecer ao meu pequeno. Já tinha uma bomba manual, comprada infelizmente com o objetivo de retirar o meu leite e poupar o meu seio de uma das mamadas, pois as machucaduras eram muitas, a ponto de uma vez me fazer desmaiar de dor ao amamentar.

Comecei a tirar leite para guardar. Primeira ordenha uma tragédia: míseros 20ml. Desanimei... mas de 20 em 20ml ia guardando e sem perceber, depois de alguns dias, os 20ml já era 60ml, que passaram para 80ml, 150ml e ia aumentando conforme a demanda da “bomba”.

Com 4 meses definitivamente todos os problemas estavam resolvidos. A pega havia melhorado com uma seção de fono, aliada a exercícios antes das mamadas. A monilíase com remédio melhorara, e os banhos de sol arrematavam as cicatrizes do meu seio, ajudando a reconstruir a pele manchada e dilacerada pelo fungo. Era só alegria. Me sentia feliz, realizada, completa...

Quando comecei a sentir o prazer de amamentar, me animei a turbinar o meu estoque. Quando o Enzo completaria 5 meses e 15 dias, eu teria que retornar ao trabalho e o meu objetivo era oferecer ao meu filho o melhor: o meu leite exclusivamente até os 6 meses. Afinal, tanto sacrifício para conseguir amamentar não poderia parar por ali.

Aluguei então uma bomba elétrica dupla. Nas mamadas, oferecia um dos seios somente ao Enzo, e após a mamada, bombeava os dois seios, e o leite armazenado. Na amada seguinte, oferecia a ele o seio que fora bombeado, e bombeava novamente os dois e assim por diante. Quando completei 5 meses e 15 dias, próximo de voltar ao trabalho, resolvi procurar outro emprego e consegui e para a minha alegria, poderia ficar trabalhando de casa mais 15 dias e com isso amamentar mais 15 dias. O universo estava conspirando.

Eu já tinha um estoque imenso de leite. Voltei a trabalhar e meu filho continuou a tomar só o meu leite até os 6 meses.

Aluguei uma bomba elétrica, dotada de compartimento para transportar o leite. Comprei vários vidros, esterilizei todos e estava pronta para retornar, porém o meu primeiro projeto foi numa petroquímica. E eu pensei... meu Deus, numa petroquímica, não terei onde fazer a ordenha. Mas fomos em frente e eu tinha planos de encontrar uma tiazinha boazinha, que me deixasse ordenhar na casa dela, sei lá. Cheguei no cliente, e só me restava uma alternativa: o banheiro. Não era a opção mais higiênica, mas... era a única então agarrei. Eu fazia três ordenhas por dia: uma pela manhã, uma após o almoço e uma no fim da tarde. Isso totalizava, um volume de 600ml mais ou menos. Deixava o leite na geladeira e ao fim do dia transportava para casa.

Metade deste leite ele tomava pela manhã no dia seguinte, metade do leite ele levava congelado para a escolinha. Além do leite ordenhado, tinha a mamada da madrugada, da manhã e antes de dormir.

Eu tinha um estoque enorme de leite e um belo dia ao chegar em casa, descobri que a porta do freezer ficara aberta e todo o meu estoque descongelou. Chorei muito, quebrei todos os vidros e na hora me desesperei: tanto sacrifício para nada. Mesmo assim não desanimei, pelo contrário, sabia que a partir daquele momento não poderia mais ter preguiça: a produção era just in time. Tirava num dia, para oferecer no outro. Fiquei triste, fiquei. Mas não desanimei e por conta disso, meu filho nunca ficou um só dia sem o leite dele.

Minha história de amamentação teve de tudo: alegrias, tristezas, desgostos, frustrações, lágrimas, mas sempre teve uma pitada de determinação que não me deixava desistir. Essa determinação me rendia muito leite, em meio as angústias de não conseguir amamentar. Minha mãe que sempre esteve comigo, foi junto com o meu marido que me dava muito apoio, fator determinante para o sucesso da minha turbulenta amamentação.

Parei com as ordenhas diárias quando ele tinha ele 1 ano e 2 meses. Tive o orgulho do meu filho só tomar o meu leite por mais de 1 ano. Hoje ele mama pela manhã e pela noite antes de dormir.
Meu bebê, com quase 1 ano e 6 meses, mama com uma carinha de satisfação que faz o meu coração transbordar de felicidade, pois transpus cada dificuldade com amor, determinação e muita informação.

Gisele do Enzo
1 ano e 9 mese....mamando

2 comentários:

Silvia disse...

Parabéns Gisele, vc foi realmente incansável, e vale muito o sacrificio. Tb amamento ainda minha filha de 1 ano 8 m~eses e por um tempo tb ordenhei o leite para ela beber até os 6 meses. Silvia Ribeiro.

MINHAS METAS disse...

Parabéns!! Como queria que isso acontece comigo